Padilha diz que teleatendimento em saúde mental será porta de entrada para ampliar atendimento
Ministro afirma que serviço para mulheres vítimas de violência e cuidadoras poderá ser prorrogado e integrado à rede pública de saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (24) que o novo serviço de teleatendimento em saúde mental lançado pelo governo federal não será apenas uma ferramenta de consultas online, mas a porta de entrada para ampliar o acesso ao tratamento psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o ministro, a proposta é que o atendimento remoto funcione como o primeiro acolhimento das pacientes e, posteriormente, seja integrado aos serviços de saúde existentes em estados e municípios: "A proposta é oferecer o teleatendimento diretamente à população como uma primeira forma de acolhimento e de início do plano terapêutico. Depois, esse cuidado será articulado com a rede local. Onde essa rede ainda não estiver disponível, o Ministério da Saúde continuará oferecendo o atendimento remoto", afirmou.
Inicialmente, o programa atenderá mulheres em situação de violência, mães atípicas e outras familiares responsáveis pelos cuidados de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Atendimento poderá continuar além das dez consultas
Embora o programa tenha sido estruturado para oferecer até dez sessões de psicoterapia, Padilha afirmou que o acompanhamento poderá ser estendido conforme a avaliação dos profissionais responsáveis. Segundo ele, o Ministério também pretende estimular grupos terapêuticos virtuais para aproximar mulheres que enfrentam situações semelhantes, fortalecendo redes de apoio e reduzindo o isolamento: "O plano terapêutico começa com dez consultas, mas pode ser prorrogado. Também queremos estimular atividades em grupo porque isso ajuda essas mulheres a construir redes de apoio e tem um papel terapêutico importante", explicou.
Outro objetivo do programa é identificar quem são as mulheres que procuram atendimento e quais regiões concentram maior demanda. Antes da primeira consulta, as pacientes responderão a um questionário baseado em protocolos internacionais de saúde mental. As respostas servirão para definir a prioridade do atendimento e também orientar futuras políticas públicas.
Segundo Padilha, as informações serão protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): "Vamos acompanhar o perfil dessas mulheres, entender onde elas vivem, quais situações enfrentam e quais vulnerabilidades apresentam. Essas informações vão ajudar o governo a pensar novas políticas para alcançar quem mais precisa", afirmou.
Durante o lançamento, o ministro também afirmou que a saúde da mulher continuará entre as prioridades da pasta. Segundo ele, a demanda por atendimento psicológico surgiu durante conferências nacionais e encontros promovidos pelo Ministério das Mulheres. Padilha destacou que as mulheres representam a maior parte dos usuários do SUS e também dos profissionais da área da saúde, o que reforça, segundo ele, a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas para esse público.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


