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O que pode acontecer com os militares indiciados pela PF na investigação sobre a tentativa de golpe?

Especialista explica se 25 militares indiciados no caso da tentativa de assassinato de Lula, Alckmin e Moraes podem ser presos ou perder patentes

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Nunca nem ouvi falar, diz Augusto Heleno sobre "minuta do golpe".
General Augusto Heleno é um dos 25 militares indiciados pela Polícia Federal na tentativa de golpe de Estado • CNN Brasil

A investigação da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado e atentado contra a vida do presidente Lula, do vice, Geraldo Alckmin, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) resultou no indiciamento de 37 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os indiciados, 25 são militares.

As punições aplicáveis a esses militares podem variar e incluir desde a perda de patente até a prisão, dependendo da condenação de cada um. Embora os militares tenham um tribunal próprio, a tendência é que aqueles envolvidos no caso sejam julgados diretamente pelo Supremo Tribunal Federal. O destino deles será definido a partir de uma eventual condenação.

O professor de Direito da UFMG, Emílio Peluso Neder Meyer, explica que os militares indiciados pela Polícia Federal nessa investigação serão julgados pelo STF porque as acusações não envolvem crimes contra as instituições militares.

“O Supremo tem dado todos os indicativos no sentido de que essas investigações que envolvem tais crimes são conexas a outras investigações que o STF tem promovido de crimes contra o estado democrático de direito. Então, o que vai acontecer é que esses militares indiciados vão ser julgados pelo próprio Supremo, não vão ser julgados pela Justiça Militar porque não se trata de acusação de crimes contra as instituições militares, mas de um crime contra o estado democrático de direito.”

O professor também ressalta que a punição independe da patente do militar. “Então, o major, o capitão, vão ser julgados pelo Supremo como acusados por tais crimes e não vai fazer diferença a patente ostentada pelos militares. Trata-se de um crime praticado contra o estado democrático de direito e, portanto, julgado pelo Supremo, juntamente com os demais indivíduos acusados nesse processo”, conclui.

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Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.