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Novo líder do governo, Paulo Pimenta prioriza fim da escala 6x1 e diálogo no Congresso

Deputado Paulo Pimenta afirma que projeto será enviado em regime de urgência após articulação entre Lula e Hugo Motta

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Deputado federal Paulo Pimenta, novo líder do governo na Câmara dos Deputados • Aline Pessanha | Itatiaia

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) assumiu a liderança do governo na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (13) e disse, durante uma coletiva de imprensa, que tem uma prioridade clara: viabilizar a tramitação e aprovação do projeto que prevê o fim da escala 6 por 1 ainda no primeiro semestre. Em suas primeiras declarações no cargo, o parlamentar indicou que sua atuação será centrada na articulação política e na construção de consenso dentro e fora da base governista.

Segundo Pimenta, o projeto deve chegar à Câmara nos próximos dias, após alinhamento direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Casa, Hugo Motta. A expectativa do governo é que a proposta seja enviada em regime de urgência: “O projeto vem essa semana, em regime de urgência. Uma das minhas tarefas prioritárias como líder do governo será exatamente viabilizar o diálogo com os líderes e garantir um processo ágil para votação ainda no primeiro semestre”, afirmou .

A pressa do governo está diretamente ligada ao calendário político. Pimenta reconhece que o segundo semestre tende a ter ritmo legislativo mais lento por causa das eleições, o que pressiona a base a acelerar a tramitação nos próximos meses.

Apesar da sinalização de urgência, há divergências sobre o formato de tramitação. Hugo Motta já defendeu que o tema avance por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), enquanto o governo trabalha com a hipótese de um projeto de lei. Pimenta, no entanto, evitou tratar o tema como conflito: “Não acredito em ruído. Existe um diálogo muito bom. O presidente da República quer prioridade, e o presidente da Câmara tem sua avaliação sobre o melhor caminho. Esse entendimento será construído”, disse .

Estratégia: diálogo amplo e redução de atrito

Ao detalhar sua atuação, Pimenta deixou claro que pretende atuar como um operador político clássico: menos confronto público e mais negociação de bastidor. Ele afirmou que buscará diálogo não apenas com partidos da base, mas também com a oposição: “Quero estabelecer uma relação de diálogo com todos os líderes, da base e da oposição, para criar um bom clima dentro da Casa”, declarou .

O deputado também sinalizou que pretende evitar a politização excessiva de pautas estruturais, especialmente em um ano eleitoral, defendendo que temas de interesse nacional não sejam automaticamente transformados em disputas pré-eleitorais.

Escala 6x1: negociação inevitável

Mesmo tratando o fim da escala 6 por 1 como prioridade, Pimenta admitiu que o texto deve sofrer alterações ao longo da tramitação. Pressionado sobre demandas de setores produtivos, que defendem apenas a redução da jornada para 40 horas sem mexer nos dias trabalhados, o líder reconheceu que o projeto será moldado pelo Congresso: “O parlamento é o espaço do diálogo. Nenhum projeto chega ao final igual ao que entra. Vamos construir uma síntese a partir das diferentes posições”, afirmou .

A fala indica que o governo já trabalha com margem de concessão, o que pode ser de caráter decisivo para viabilizar maioria, mas também abre espaço para descaracterização da proposta original.

Outras pautas 

Além da escala 6x1, Pimenta comentou outros temas em tramitação e deixou evidente que nem todas as pautas terão prioridade imediata.

Sobre o projeto que trata de trabalhadores de aplicativos, indicou que não há ambiente para votação nesta semana e defendeu mais maturação do texto antes de levá-lo ao plenário: “É uma matéria que não deve ser acelerada até estar suficientemente madura”, disse .

Já em relação a questionamentos sobre constitucionalidade da proposta trabalhista, dentro do assunto "Escala 6x1", o líder afirmou que o governo só encaminhará o texto com respaldo jurídico consolidado, indicando confiança na viabilidade legal da medida.

INSS e gestão

Pimenta também comentou mudanças no INSS e reforçou que a prioridade do governo é reduzir filas e melhorar a qualidade do atendimento. Segundo ele, a troca de comando segue uma lógica técnica e administrativa: “O objetivo é garantir mais eficiência, reduzir a fila e melhorar o atendimento. A escolha foi de alguém com experiência e conhecimento da estrutura”, afirmou .

TCU e articulações políticas

Questionado sobre a eleição para o Tribunal de Contas da União, Pimenta evitou entrar em disputas internas e disse desconhecer acordos políticos que envolveriam o nome do deputado Odair Cunha.

Apesar disso, fez defesa explícita da candidatura, destacando experiência e trajetória do parlamentar: “É um deputado capacitado, respeitado e que reúne condições para exercer bem a função”, afirmou.

No primeiro dia como líder, Pimenta ainda não havia se reunido com Hugo Motta nem com os líderes partidários. A expectativa, segundo ele, é iniciar essa rodada de conversas imediatamente, com o objetivo de definir uma agenda prioritária para o semestre.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.