Itatiaia

Novo leva Lula ao TSE por suposto pedido de voto antecipado na Bahia

Partido acusa presidente de pedir votos durante convenção do PT que lançou chapa governista na Bahia

PorBrasília
Processo está nas mãos do ministro André Mendonça, do TSE. • Reprodução: TSE

O Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta propaganda eleitoral antecipada durante a convenção estadual do PT na Bahia, realizada no sábado (1), em Salvador.

A representação questiona declarações feitas por Lula durante o evento que oficializou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição e lançou Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado. O processo foi distribuído ao ministro André Mendonça. 

Durante o discurso, o presidente fez referência à eleição presidencial e pediu apoio dos eleitores depois de votar nos candidatos a governador, senador e deputado. O Novo sustenta que a fala configurou pedido explícito de voto, o que é proibido antes do início oficial da propaganda eleitoral.

A legislação eleitoral permite que pré-candidatos participem de eventos partidários, apresentem propostas e façam mobilizações antes do início oficial da campanha. O limite está no pedido explícito de votos. Segundo o Ministério Público Federal, a propaganda eleitoral oficial nas eleições de 2026 só poderá ser realizada a partir de 16 de agosto. Antes disso, manifestações que tenham como objetivo direto conseguir votos podem ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada.

A Bahia é considerada um dos principais redutos eleitorais do PT e deve ocupar espaço importante na estratégia de campanha de Lula. O partido estadual estabeleceu como prioridade a reeleição do presidente e de Jerônimo, além do fortalecimento das bancadas petistas no Legislativo. 

O fato é que a discussão sobre propaganda eleitoral antecipada envolvendo Lula não é inédita neste ano. No mês de fevereiro, o TSE analisou ações apresentadas pelo Novo e pelo partido Missão contra um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageava o presidente. Na ocasião, o tribunal negou liminares e entendeu que não havia, naquele momento, elementos concretos suficientes para afirmar a ocorrência de campanha eleitoral antecipada.

O caso atual, porém, envolve uma situação diferente: segundo o Novo, Lula teria feito um pedido direto de voto durante uma convenção partidária, e não apenas participado de uma manifestação de apoio político. A ação será analisada pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar o conteúdo das declarações, o contexto em que foram feitas e se houve, de fato, extrapolação dos limites da pré-campanha.

Por enquanto, não há decisão do TSE sobre a eventual irregularidade das falas de Lula. O que existe é uma representação apresentada pelo Novo, que acusa o presidente e os demais citados de anteciparem a campanha eleitoral.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

Belo Horizonte