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'Não é um governo ruim, mas também não é excepcional', diz cientista político sobre Zema

Professor da Fundação Dom Cabral, Rodrigo Lopes aponta 'equívocos' da gestão estadual em debates sobre assuntos como a dívida bilionária junto à União

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O governador de Minas, Romeu Zema, em entrevista à Itatiaia
Zema cumpriu o quinto ano como governador de Minas Gerais • Reprodução/Itatiaia

Embora cite a boa aprovação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o cientista político Rodrigo Lopes diz que o primeiro ano do segundo mandato do chefe do Executivo estadual foi marcado por “equívocos”.

Segundo o especialista, professor da Fundação Dom Cabral e doutor em história social, Zema errou ao não tomar para si, de início, o protagonismo nos debates sobre a dívida de Minas Gerais com a União — cerca de R$ 160 bilhões. Defensor do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que dividiu opiniões na Assembleia Legislativa e teve a tramitação suspensa, o governador viu ganhar corpo uma proposta alternativa, apresentada pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

“No segundo mandato, Zema já não poderia cometer equívocos que cometeu no primeiro ano deste segundo mandato. Não é um governo ruim ou desastroso, mas também não é um governo excepcional, em parâmetros de ótimo. Ele tem boa aprovação, e em dezembro saiu uma pesquisa em que ele tem boa aprovação entre os eleitores de Minas, que ainda não sentem a repercussão dessa dívida fiscal, que não chega ao eleitor de forma geral. É uma necessidade, uma preocupação e um ponto muito importante”, diz Lopes, em entrevista à Itatiaia.

O pacote de Recuperação Fiscal defendido por Zema estava norteado em medidas como a privatização da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), famosa por explorar o nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba. O arcabouço, previsto para durar nove anos, não contemplava, a princípio, aumento real nos salários dos servidores públicos — e, sim, duas recomposições de perdas causadas pela inflação. Havia, também, a ideia de vender a folha de pagamento do funcionalismo a uma instituição financeira privada.

Do outro lado, o plano de Pacheco, apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está ancorado na federalização de estatais mineiras, como a Codemig e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O presidente do Congresso defende, ainda, o estabelecimento de um programa de refinanciamento de dívidas contraídas por entes federados junto à União.

“A lacuna do primeiro ano (do segundo mandato de Zema) foi a não proatividade em buscar uma solução mais rápida (para a dívida de Minas) — ou, pelo menos, iniciar essa solução. Algumas possibilidades e frentes foram trabalhadas, mas nada de muito concreto. Agora, no final do ano (de 2023) o tempo urge e foi necessário tomar algumas decisões, e novos atores da política de Minas Gerais começam a ganhar destaque, como Rodrigo Pacheco, que surge como nome para 2026”, analisa Rodrigo Lopes.

Cenários distintos

Eleito pela primeira vez em uma chapa puro-sangue do Novo, Zema teve dificuldades para construir uma base aliada na Assembleia Legislativa. Quando buscou a reeleição, adotou estratégia diferente e foi apoiado por uma coligação de 10 partidos.

No início do ano passado, deputados estaduais aliados ao Palácio Tiradentes diziam que a coalizão governista era composta por 57 dos 77 parlamentares mineiros. Apesar disso, o governo teve dificuldades para aprovar algumas propostas no Legislativo — o projeto que retomou a cobrança de alíquota adicional do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidem sobre bens tidos como supérfluos, por exemplo, passou pela Assembleia por margem de apenas quatro votos. Quatro também foi o número de deputados do PT que faltaram à sessão.

“São duas configurações diferentes de governo, duas realidades diferentes e, podemos dizer, dois estados e dois eleitores diferentes. Houve uma mudança muito grande em relação ao que se propôs nos debates da eleição de 2018 para a eleição de 2022. Romeu Zema, em 2018, teve uma vitória inesperada até para seu próprio círculo, o que deu a ele uma gordura no primeiro ano do primeiro mandato — algo que não se repete mais no segundo mandato, em que não existe mais o ineditismo e a precedência da inexperiência”, aponta Rodrigo Lopes.

Dívida no centro do debate

As conversas a respeito de soluções para os problemas financeiros de Minas dominaram a pauta do governo no segundo semestre do ano passado. Na visão do cientista político, embora o tema seja pouco palpável para parte da população, acaba influenciando o debate sobre ações em políticas públicas essenciais.

“A dona de casa precisa da escola para o filho e de um hospital em sua região. Minas, pela quantidade de municípios, tem uma dificuldade muito grande, em cidades de médio e pequeno porte, de ter uma estrutura próxima. É isso que a população sente. E, para que isso aconteça, precisa ter recursos. E, para ter recursos, precisa ter um trabalho mais eficiente sobre como lidar com a dívida. Sem tratar a dívida e resolver a questão financeira, não temos condições de implementar uma política mais estruturada de investimentos em saúde, educação e outros pontos importantes para a população”, analisa.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.