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Morre Manoel Dias, fundador do PDT e ex-ministro de Dilma, aos 88 anos

Político catarinense teve trajetória marcada pela defesa do trabalhismo, pela resistência à ditadura militar e pela participação na criação do PDT

PorBrasília
O ex-ministro Manoel Dias.
O ex-ministro Manoel Dias. • Divulgação PDT

Morreu aos 88 anos, em Florianópolis, o ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT). A morte foi confirmada pelo presidente nacional da legenda, Carlos Lupi. A causa não foi divulgada.

Conhecido como “Maneca”, Manoel Dias estava internado em Florianópolis após o agravamento do estado de saúde. Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em 2025. O político deixa esposa, dois filhos, noras e netos. Até a manhã deste domingo (23), não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.

Natural de Içara, no sul de Santa Catarina, Dias iniciou a carreira política em 1962, quando foi eleito vereador pelo então Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em 1966, chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Sua trajetória foi marcada pela resistência à ditadura militar. Após o golpe de 1964, teve o mandato de vereador cassado e permaneceu preso por 11 meses. Em 1969, depois da edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), teve novamente os direitos políticos cassados, desta vez por dez anos.

Com a abertura política e a anistia, Manoel Dias participou da reorganização do movimento trabalhista. Em 1980, ajudou a fundar o PDT ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças políticas.

Dias teve papel importante na organização da legenda em Santa Catarina e ocupou diferentes funções partidárias ao longo das décadas. Também participou do governo de Brizola no Rio de Janeiro, na década de 1990, quando foi diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

A trajetória no PDT fez de Manoel Dias uma das referências históricas do trabalhismo brasileiro. Ao confirmar a morte, Carlos Lupi destacou a atuação do dirigente na construção do partido e na defesa do trabalhismo.

Em março de 2013, Manoel Dias assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Ele permaneceu no cargo até outubro de 2015, atravessando o primeiro mandato e o início do segundo governo da petista.

Durante a passagem pelo ministério, Dias enfrentou questionamentos relacionados a suspeitas de irregularidades na pasta. Em 2013, a Polícia Federal deflagrou a Operação Esopo, que investigou um suposto esquema envolvendo contratos e repasses do Ministério do Trabalho. Dias negou envolvimento nas irregularidades.

Com a morte, o PDT perde uma de suas figuras históricas e um dos dirigentes que participaram da criação da legenda ainda durante o processo de redemocratização do país.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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