Ex-chefe de gabinete de Lula recebia demandas e atualizava lobista sobre agendas
Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) e a lobista Roberta Luchsinger são investigados por suposto tráfico de influência e vantagens indevidas no Planalto

O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência. Ele é suspeito de receber vantagens indevidas da lobista Roberta Luchsinger, que fazia pedidos de agendas e era atualizada sobre reuniões com integrantes do governo, conforme mensagens obtidas pela corporação.
As demandas enviadas pela empresária ao assessor do Planalto constam em mensagens obtidas pela PF. A lobista e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula, são investigados por suposto tráfico de influência com integrantes do governo federal.
A PF investiga a relação dos dois com Marcola e se o ex-assessor teria recebido possíveis vantagens econômicas indevidas em troca de facilitar negociações. A relação de Roberta com Lulinha é um dos focos da investigação.
Em julho de 2024, Roberta enviou a Marcola uma lista de prioridades de assuntos de aparente interesse de clientes. "Bom dia! Tudo bem? Posso te mandar uma lista de coisas que precisamos ver rsrsss? Só pra gente não se perder", disse a empresária em uma das mensagens.
Um dos tópicos listados é "canabidiol com Berger", em referência ao então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swerdenberger Barbosa, conhecido como Berger. Marcola respondeu: "Bom dia. Ligarei mais tarde aí. Pois fiz reunião com Berger ontem".
Em uma das frentes de apuração, a PF investiga se Roberta e Lulinha teriam atuado para facilitar contratos de medicamentos de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde. As tratativas teriam como objetivo beneficiar o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", em compras sem licitação. A PF, que apura a participação de Lulinha em casos semelhantes, está atenta a essas movimentações.
Os investigadores também identificaram em uma outra conversa um modelo de contrato com o Ministério da Saúde enviado por Roberta para Marcola.
Além da liberação sobre medicamentos de canabidiol, no diálogo, Roberta cita entre as pendências tentativas de agenda com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A reportagem original procurou a empresa sobre o assunto e aguarda resposta.
"Magda [Chambriard] não recebeu eles, nada está acontecendo e a Petrobras parece que não quer ajudar... Temos que ter algo para falar senão vai acabar aquilo lá", afirma.
A investigação analisa se Marcola de fato atuou para beneficiar a lobista. A defesa do ex-assessor do Planalto afirma que ainda não teve acesso aos autos da investigação e reitera que Marcola "nunca intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações públicas".
Marcola deixou a chefia do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em julho, depois de revelado que o então assessor do Planalto recebeu pagamentos feitos por Roberta. A defesa afirma que os valores recebidos eram referentes a um empréstimo.
No fim de 2024, uma outra troca de mensagens mostrou Marcola questionando Roberta sobre um quadro no valor de 100 mil euros. "E meu quadro?? Kkk", disse em 19 de dezembro de 2024.
Segundo a PF, ela teria respondido que iria preparar a documentação e que o quadro estava no "carrossel do louvre", citando que a obra valeria 100 mil euros. Os investigadores não detalham se o quadro foi entregue.
À reportagem, a defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que "nunca houve recebimento de obra de arte ou objetos de valor". Segundo o advogado Georges Abboud, a própria mensagem "evidencia que não se trata de uma cobrança de fato".
A reportagem mostrou que as mensagens obtidas pela PF também revelaram que Luchsinger indicou ter comprado joias de diamante para Marcola avaliadas em R$ 9,2 mil. Os itens também fariam parte do empréstimo feito e quitado. A defesa de Roberta disse que não vai se manifestar porque o caso está sob sigilo.
Sobre a participação de Lulinha em possíveis intermediações, a defesa do filho do presidente nega irregularidades.
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