Ministros de Lula colecionam vitórias e decepções no 2º turno
Ao contrário do presidente, que teve participação discreta, ministros foram a campo e conseguiram emplacar aliados em capitais

Apesar da participação discreta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições municipais, ministros que compõem seu time no governo federal colecionaram vitórias no pleito, conseguindo emplacar aliados em diversas capitais do país, conseguindo fortalecer seus nomes para futuras disputas.
A presença do presidente Lula no palanque de aliados se concentrou em poucos municípios e foi prejudicada, sobretudo, na última semana em que o presidente teria para apoiá-los, mas acabou sofrendo um acidente doméstico que o deixou de ‘molho’ no Palácio da Alvorada.
Alexandre Silveira (PSD)

Em Belo Horizonte, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou ativamente da campanha do prefeito Fuad Noman (PSD), que venceu Bruno Engler (PL) em uma disputa acirrada, superando também a influência do ex-prefeito Alexandre Kalil e do governador Romeu Zema.
No primeiro turno, Silveira encampou o apelo pelo ‘voto útil’ que ajudou a desidratar a campanha das candidaturas de esquerda. Já no segundo turno, se colocou como um interlocutor do presidente Lula na campanha do prefeito reeleito, que optou por não explorar a imagem no presidente na disputa contra o bolsonarista Bruno Engler (PL).
Jader Filho (MDB)

Na capital paraense, Belém, o ministro das Cidades, Jader Barbalho (MDB), apoiou a candidatura do deputado Igor Normando (MDB), que saiu vitorioso. A vitória era considerada fundamental para o governo, que tem grande expectativa sobre a COP-30, que será sediada na capital paraense.
Os planos do governo, inclusive, corriam risco com a candidatura do deputado federal Éder Mauro (PL-PA) - bolsonarista que disputou o segundo turno.
O cenário no Pará também possui um componente familiar muito forte para o clã Barbalho. Igor, prefeito eleito em Belém, é primo de Jader e também do governador do estado, Helder Barbalho.
Camilo Santana (PT)

Em Fortaleza, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), celebrou a vitória de Evandro Leitão (PT), considerada a eleição mais significativa do Partido dos Trabalhadores em todo o Brasil.
A disputa entre PT e PL na cidade também foi marcada por fatores regionais, com a participação do ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT), que não obteve sucesso ao apoiar o prefeito José Sarto, que sequer avançou para o segundo turno.
Decepções
Além das vitórias em algumas capitais, o time de ministros do presidente Lula também colecionou algumas derrotas significativas no segundo turno.
A principal delas foi em São Paulo, onde o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) foi derrotado por Ricardo Nunes (MDB). Na campanha de Boulos, ministros como Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Marina Silva (Meio Ambiente) tentaram ser cabos eleitorais de peso, mas acabaram derrotados pelo candidato de centro-direita apoiado, discretamente, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em Porto Alegre, o ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta (PT), tentou ajudar a deputada federal Maria do Rosário (PT) a se eleger no segundo turno, mas a vitória foi para Sebastião Melo (MDB).

Mas a principal derrota ocorreu em Cuiabá, capital do Mato Grosso, onde o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro indicou sua filha, Rafaela Fávaro, na chapa do candidato Lúdio Cabral (PT). Apesar da disputa acirrada e da campanha ativa do ministro em solo cuiabano, que se elegeu foi o deputado federal e novato na política, Abilio Brunini (PL).
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



