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Minas já abriu R$ 1,2 bilhão em créditos suplementares para cumprir requisitos do Propag

Manejo no orçamento busca cumprir com exigências para reduzir os juros no refinanciamento da dívida com a União

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Inicialmente, a construção da Cidade Administrativa foi orçada em R$ 900 milhões. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) afirma que o custo da obra passou de R$ 1,8 bilhão
Governo de Minas precisa fazer investimentos para cumprir com os requisitos do Propag • Divulgação

Minas Gerais já abriu quase R$ 1,2 bilhão em créditos suplementares para fazer investimentos relativos ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) desde dezembro do ano passado. O plano de refinanciamento do bilionário débito com a União exige o reinvestimento do valor economizado com juros para criar condições mais favoráveis de quitar o valor devido.

 

A partir dos diários oficiais publicados pelo Executivo Estadual desde o fim de 2025, a Itatiaia calculou os créditos que somam R$ 1.177.470.948,50 listados como investimentos relacionados ao Propag. Os valores não são despesas adicionais, mas realocação de verbas para conseguir cumprir com as exigências do programa que refinanciou a dívida de mais de R$ 200 bilhões do estado com a União.

 

A lista das entidades que mais receberam suplementação orçamentária é liderada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER-MG), que foi destino de R$ 523,8 milhões. Na sequência vem a Polícia Militar, com R$ 355 milhões; a Secretaria de Educação, com R$ 217,3 milhões; a Polícia Civil, com R$ 54,2 milhões; a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, com R$ 26 milhões; e o Corpo de Bombeiros, com R$ 1 milhão.

 

Em nota enviada à reportagem, o Governo de Minas informou que trabalha com um Plano de Aplicação de Investimentos encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional em fevereiro deste ano. “Eventualmente o Plano demanda ajustes nos créditos orçamentários disponibilizados para a execução, em razão de alterações de preços, licitações ou alinhamento de prioridades, entre outros exemplos”, diz a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.

 

O valor dos créditos suplementares não corresponde ao total investido em serviços do estado em ações atreladas ao Propag.

 

O Propag foi apresentado com um projeto de lei complementar (PLC) pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB), aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de 2024.

 

O programa estabeleceu condições para que os estados endividados com a União consigam parcelar o pagamento do débito em até 30 anos. Neste contexto, o Propag estabelece mecanismos para a redução dos juros cobrados sobre as parcelas, hoje calculados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que estabelece a inflação — mais 4% do estoque da dívida ao ano.

 

O programa estabeleceu condições para que os estados endividados com a União consigam parcelar o pagamento do débito em até 30 anos. Neste contexto, o Propag estabelece mecanismos para a redução dos juros cobrados sobre as parcelas, hoje calculados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que estabelece a inflação — mais 4% do estoque da dívida ao ano.

 

O ingresso no Propag poderia ser feito em diferentes modelagens, todas elas com a possibilidade da redução dos juros reais com a eliminação dos quatro pontos percentuais cobrados além da inflação.

 

O modelo escolhido pelo governo mineiro e discutido com um pacote com mais de uma dezena de projetos enviados à Assembleia prevê a redução de dois pontos percentuais a partir do abatimento de ao menos 20% do estoque da dívida. Hoje, Minas deve cerca de R$ 175 bilhões à União e, portanto, precisaria pagar R$ 35 bilhões para atingir seu objetivo.

 

Esse pagamento pode ser feito a partir da federalização de ativos estatais para amortizar a dívida com seu repasse ao governo federal ou via privatização dos bens com uso do recurso para o abatimento do débito. Neste contexto foram feitos os debates de venda de imóveis do estado e da Copasa e da federalização da Codemig, que por meses monopolizaram a discussão no Legislativo mineiro.

 

Outro ponto percentual pode ser abatido com o compromisso de que a economia obtida com essa redução de juros seja reinvestida no estado, justamente o ponto pelo qual o estado precisa das suplementações orçamentárias. O uso do valor que não será pago em forma de dívida deve, portanto, ser aplicado em ações de segurança pública, ensino profissionalizante, infraestrutura e outras áreas nevrálgicas da estrutura do estado.

 

Por fim, mais um ponto percentual pode ser suprimido com a contribuição com o Fundo de Equalização Federativa. Instituído pelo próprio Propag, essa medida foi tomada como uma forma de negociar a aprovação do texto no Congresso junto a parlamentares de estados que não estão em dívida com a União e que viam no programa de refinanciamento uma iniciativa de favorecimento das unidades federativas em débito. Os valores destinados ao fundo serão redistribuídos entre os estados do país.

 

O estado precisa estar em dia com os mecanismos estabelecidos pelo Propag para usufruir das garantias previstas no programa e quitar a dívida com os juros cobrados apenas a partir da inflação.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.