Lula: 'Vale está muito quietinha e sabe que tem que pagar'
Presidente cobrou maior envolvimento da mineradora, que negocia acordo para reparação de danos causados em Mariana e na bacia do Rio Doce

Em meio a uma negociação que envolve o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo e mineradoras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou maior esforço da mineradora Vale nas ações de reparação pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho.
“A Vale está muito quietinha e ela sabe que tem que pagar”, afirmou Lula em evento na capital mineira, nesta sexta-feira (28).
Em discurso no Minascentro, o presidente diz que gostaria de visitar a região do Vale do Rio Doce e as cidades de Mariana e Brumadinho, atingidos por rompimentos de barragem nos anos de 2015 e 2019. Em Mariana, foram 19 mortos e, em Brumadinho, 270.
Neste momento, em mediação conduzida pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), os entes públicos precisam dar uma resposta a uma proposta apresentada pela Vale neste mês.
No dia 12 de junho, a mineradora, controladora da Samarco, responsável pela barragem de Fundão, que se rompeu em novembro de 2015, lançando milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério na bacia do Rio Doce, apresentou uma contraproposta.
Os valores globais são de R$ 140 bilhões, dos quais serão descontados R$ 37 bilhões que, segundo a Vale, já foram revertidos em reparação para pessoas atingidas, por meio da Fundação Renova.
Dos R$ 103 bilhões restantes, R$ 21 bilhões seriam "obrigações de fazer" da Vale, recurso que deverá ser empregado em ações efetivas de recuperação do meio ambiente, incluindo a recuperação do rio Doce. Os outros R$ 82 bilhões serão repassados à União e aos governos de Minas e Espírito Santo com parcelas sendo pagas ao longo de 20 anos.
Proposta x lucro
Se depender da proposta da Vale para o acordo de Mariana, a mineradora destinará pouco mais de 10% do seu lucro médio anual ao pagamento de indenização por todos os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015.
Desde aquele ano, a Vale — maior mineradora do país — acumulou R$ 289,5 bilhões em lucros líquidos, uma média de R$ 32,16 bilhões por ano. Pela proposta apresentada ao governo federal e aos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a Vale se comprometeu com o pagamento de R$ 103 bilhões — destes, apenas R$ 82 bilhões entrariam nos cofres dos entes públicos, e divididos em 20 anos.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.





