Lula sinaliza indicação de PGR fora da lista tríplice e entidade protesta
Associação Nacional dos Procuradores da República diz que decisão é “frustrante”; Bolsonaro escolheu Aras fora da lista

Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizar que poderá indicar o nome do próximo Procurador-Geral da República (PGR) fora da lista tríplice do Ministério Público Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) se manifestou pedindo que o presidente reconsidere.
Desde 2001, a associação elabora uma votação entre todos os Procuradores da República e encaminha a escolha dos três mais votados ao presidente. No entanto, o chefe do Executivo não é obrigado a apontar um dos nomes de dentro da lista.
"Não penso mais em lista tríplice. Não penso mais, porque quando vim para a presidência, trouxe a minha experiência do sindicato. Então, tudo para mim era lista tríplice. Já está provado que nem sempre a lista tríplice resolve o problema. Então, vou ser mais criterioso para escolher o próximo procurador-geral da República", afirmou o presidente em uma entrevista à BandNews, nesta quinta-feira (2).
Durante seus dois primeiros governos, Lula escolheu o primeiro nome da tríplice: Cláudio Lemos Fonteles (2003-2005), Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (2005-2009) e Roberto Gurgel (2009-2013).
Sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), repetiu a prática, ao indicar Rodrigo Janot (2013-2017) ao cargo.
A tradição foi rompida, no entanto, durante o governo de Michel Temer (MDB) - que escolheu Raquel Dodge (terceira colocada na lista). Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, escolheu Augusto Aras, que sequer figurava na lista tríplice.
Críticas
O presidente da ANPR, Ubiratan Cazetta, disse que, mesmo com a sinalização de Lula, a entidade irá apresentar a lista tríplice ao presidente e classificou as declarações como "frustrantes".
“Para nós é decepcionante, porque nós confiamos e ainda continuamos a confiar no espírito republicano e democrático do presidente da República. Faremos no espaço que nos sobra, até a indicação do sucessor, todo um processo de convencimento para que se volte a cogitar e faça como fez nos seus mandatos anteriores, o uso da lista, reconhecendo que ela é um mecanismo mais transparente e republicano para a escolha do procurador-geral da República", afirmou em entrevista.
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
