Belo Horizonte
Itatiaia

Lula sinaliza indicação de PGR fora da lista tríplice e entidade protesta

Associação Nacional dos Procuradores da República diz que decisão é “frustrante”; Bolsonaro escolheu Aras fora da lista

Por
Lula sinalizou, em entrevista, que poderá indicar nome do próximo PGR fora da lista tríplice
Lula sinalizou, em entrevista, que poderá indicar nome do próximo PGR fora da lista tríplice • Ricardo Stuckert/PR

Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizar que poderá indicar o nome do próximo Procurador-Geral da República (PGR) fora da lista tríplice do Ministério Público Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) se manifestou pedindo que o presidente reconsidere.

Desde 2001, a associação elabora uma votação entre todos os Procuradores da República e encaminha a escolha dos três mais votados ao presidente. No entanto, o chefe do Executivo não é obrigado a apontar um dos nomes de dentro da lista.

"Não penso mais em lista tríplice. Não penso mais, porque quando vim para a presidência, trouxe a minha experiência do sindicato. Então, tudo para mim era lista tríplice. Já está provado que nem sempre a lista tríplice resolve o problema. Então, vou ser mais criterioso para escolher o próximo procurador-geral da República", afirmou o presidente em uma entrevista à BandNews, nesta quinta-feira (2).

Durante seus dois primeiros governos, Lula escolheu o primeiro nome da tríplice: Cláudio Lemos Fonteles (2003-2005), Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (2005-2009) e Roberto Gurgel (2009-2013).

Sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), repetiu a prática, ao indicar Rodrigo Janot (2013-2017) ao cargo.

A tradição foi rompida, no entanto, durante o governo de Michel Temer (MDB) - que escolheu Raquel Dodge (terceira colocada na lista). Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, escolheu Augusto Aras, que sequer figurava na lista tríplice.

Críticas

O presidente da ANPR, Ubiratan Cazetta, disse que, mesmo com a sinalização de Lula, a entidade irá apresentar a lista tríplice ao presidente e classificou as declarações como "frustrantes".

“Para nós é decepcionante, porque nós confiamos e ainda continuamos a confiar no espírito republicano e democrático do presidente da República. Faremos no espaço que nos sobra, até a indicação do sucessor, todo um processo de convencimento para que se volte a cogitar e faça como fez nos seus mandatos anteriores, o uso da lista, reconhecendo que ela é um mecanismo mais transparente e republicano para a escolha do procurador-geral da República", afirmou em entrevista.

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.