Lula prioriza campanha, mantém viagem à ONU e deve faltar ao Brics
Presidente deve ir a Nova York em setembro, mas pode abrir mão da cúpula do Brics na Índia para focar nas eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu o ritmo das viagens internacionais durante o período da campanha eleitoral de 2026. A previsão é que o petista faça apenas uma viagem ao exterior, com destino a Nova York, para participar da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que o momento é de concentrar esforços na campanha pela reeleição. O presidente brasileiro tradicionalmente faz o discurso de abertura da Assembleia-Geral e a viagem a Nova York também poderá abrir espaço para encontros bilaterais durante a passagem de Lula pelos Estados Unidos. Há expectativa, inclusive, de uma possível reunião com o presidente americano Donald Trump.
Se de um lado a viagem à Nova York é considerada provável, do outro, o petista não deverá participar presencialmente da Cúpula do Brics, prevista para setembro, na Índia. O encontro reúne chefes de Estado e de governo dos países integrantes do bloco.
Para fontes do Palácio do Planalto, a ausência está relacionada justamente à necessidade de priorizar a campanha eleitoral no Brasil. A ausência de Lula representaria uma mudança em relação à participação do presidente em encontros anteriores do grupo.
A agenda do Brics tem importância para a política externa brasileira, especialmente pela atuação de Lula na defesa do multilateralismo, da ampliação do bloco e da reforma das instituições internacionais.
A redução das viagens ocorre em um momento em que a eleição presidencial de 2026 vai entrar em sua fase decisiva. O primeiro turno está marcado para outubro, e a tendência é de que Lula priorize compromissos no Brasil durante o período eleitoral, para fortalecer a própria campanha.
A escolha de manter a viagem à ONU, mas abrir mão do Brics, também evidencia uma diferença entre os dois compromissos. Enquanto a Assembleia-Geral é uma agenda tradicional da diplomacia brasileira e oferece ao presidente uma plataforma internacional de grande visibilidade, a participação na cúpula do Brics exigiria uma viagem mais longa justamente durante o período de campanha.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



