Lula foca na escala 6x1 e em críticas a Flávio; candidato do PL soma apoios de centro e mantém cobrança ao STF
Governo tenta votar no Senado, antes de 25 de outubro, a PEC que acaba com a escala 6x1; PP e União Brasil declararam apoio a Flávio, além de Zema, Caiado e Temer, Republicanos deve decidir nesta quarta

A 18 dias do segundo turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) já mostram os caminhos escolhidos. O PT concentra esforços em pautas de apelo social, sobretudo o fim da escala 6x1, e em críticas diretas ao adversário. O PL consolida o apoio de partidos de centro e centro-direita e mantém a cobrança ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo tenta acelerar no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Na terça-feira (6), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, foi à residência oficial do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo Guimarães, Alcolumbre reafirmou o compromisso de seguir o regimento e levar a matéria a votação antes do segundo turno.
O caminho, porém, tem etapas. A PEC precisa de cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, as primeiras nesta semana e as demais na próxima. São necessários 49 dos 81 votos. Teresa Leitão (PT-PE), líder do PT no Senado, afirmou que a bancada governista está unida e que a articulação busca o apoio de senadores independentes. A expectativa é repetir no Senado a margem da Câmara, que aprovou o texto em maio por 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. Se o Senado alterar o texto, a proposta volta à Câmara.
Oposição contesta o momento da proposta
O principal embate deve ser com a oposição. A líder do governo disse que a maioria dos senadores do PL é contrária ao fim da escala, mas citou possíveis dissidências, como Cleitinho (Republicanos-MG) e Romário (PL-RJ). Guimarães mirou os aliados de Flávio: "Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra".
A direita tenta deslocar o debate. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, afirma que não há resistência a discutir a redução da jornada, mas classificou a condução do tema pelo governo como "oportunista e eleitoreira" e questionou o momento. Ele aponta risco de alta de preços, inflação e informalidade e defende uma PEC alternativa de jornada flexível, com modelos de 20 a 50 horas semanais negociados entre empregador e empregado. O PL terá 28 senadores a partir de 2027, a maior bancada da Casa. A fala de Marinho aconteceu nesta terça-feira (6), após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
PT confronta biografia de Flávio
Além da pauta trabalhista, o PT aposta no confronto com a trajetória do adversário. Em coletiva após reunião da Executiva Nacional do PT com os coordenadores da campanha de Lula nos estados, na noite desta terça-feira (6), Edinho detalhou a linha para o segundo turno. "A linha política desse segundo turno, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa", disse. Ele afirmou que o tom não será agressivo: "Ela não é agressiva, ela é uma campanha de confronto. No segundo turno, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país".
O presidente do PT disse que Flávio "representa as milícias do Rio de Janeiro" e afirmou que "alguém que representa milícias e crimes não pode falar em segurança pública". Sobre a escala 6x1, acusou o senador de ter "trabalhado incansavelmente pela não aprovação do fim da jornada 6 por 1" e de ser "insensível à realidade da imensa maioria do povo brasileiro". Ao defender o presidente, Edinho o chamou de "o líder político que fez as maiores mudanças da história brasileira".
Flávio soma apoios após primeiro turno
Do lado de Flávio, o foco está nas alianças. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio na terça. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a decisão foi unânime. Os dois partidos haviam ficado neutros no primeiro turno. Os ex-candidatos Romeu Zema (Novo), na segunda, e Ronaldo Caiado (PSD), na terça, também declararam apoio, assim como o ex-presidente Michel Temer (MDB).
O Republicanos deve anunciar posição nesta quarta (7), às 18h, em Brasília. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reuniu Flávio e o presidente do partido, Marcos Pereira, na terça para encaminhar a adesão.
STF entra na campanha
Depois de se reunir com o presidente do STF, Edson Fachin, Marinho disse que o Senado não se omitirá diante de eventual crime de responsabilidade de ministros da Corte e criticou a Casa por não analisar pedidos de impeachment. Ele afirmou não haver "espírito de vingança" e citou os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes ao criticar o que chamou de intervenção continuada na Justiça Eleitoral.
O tema também está na agenda do PT. Na coletiva, Edinho defendeu mudanças no Judiciário: "Esse Poder Judiciário que está aí não serve à sociedade brasileira, precisa ser reformado".
Jornalista pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pós-graduanda em política e relações internacionais na FAAP, atua na cobertura de Congresso Nacional e Judiciário na Itatiaia em Brasília. Ilustradora, também faz reportagens especiais de jornalismo em quadrinhos. Com passagens por CNN Brasil, SBT News, SBT Brasil e Correio Braziliense.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio




