Lula acusa Israel de genocídio em Gaza e cobra reação da ONU contra guerras
Em discurso na Assembleia-Geral, presidente afirma que credibilidade das Nações Unidas está no nível mais baixo e critica o Conselho de Segurança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar genocídio contra mulheres e crianças na Faixa de Gaza e defendeu a criação de um Estado palestino ao lado de Israel. As declarações foram feitas nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses. “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse.
Lula criticou ainda a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e afirmou que esse tipo de ação pode contribuir para a impunidade de crimes cometidos durante conflitos.
“Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes.”
A postura do presidente brasileiro tem sido crítica ao governo de Israel desde os contra-ataques contra o Hamas. Em 2024, Lula comparou os ataques de Israel contra o povo palestino a atitudes de Hitler, responsável pelo holocausto. Á época, o embaixador brasileiro foi convocado para esclarecimentos em Israel e o presidente chegou a ser declarado como "persona non grata". Na diplomacia, o título significa que o brasileiro é uma pessoa indesejável ao país.
Defesa da solução de dois Estados
O presidente brasileiro defendeu a criação de dois países, Israel e Palestina, como caminho para garantir a segurança das populações dos dois territórios. Segundo Lula, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia dificulta a implementação desse modelo.
“Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em segurança”, afirmou.
Lula também mencionou a relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, Francesca Albanese, e declarou que ela “não pode ser silenciada por dizer a verdade”.
Em outro trecho, o presidente criticou a escalada dos conflitos no Oriente Médio. “Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”, disse.
Críticas à ordem internacional
A situação em Gaza foi abordada no início do discurso, marcado por críticas à incapacidade das Nações Unidas de impedir guerras e proteger populações vulneráveis.
Lula afirmou que a ONU atravessa o momento mais crítico desde que ele começou a participar da Assembleia-Geral, em 2003. “A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, declarou.
O presidente também criticou o Conselho de Segurança, que, segundo ele, está imobilizado pelo poder de veto das grandes potências. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou.
Ao tratar dos conflitos internacionais, Lula defendeu a negociação diplomática como alternativa à guerra. Sobre o confronto entre Rússia e Ucrânia, declarou: “Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção.”
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



