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Lula acusa Israel de genocídio em Gaza e cobra reação da ONU contra guerras

Em discurso na Assembleia-Geral, presidente afirma que credibilidade das Nações Unidas está no nível mais baixo e critica o Conselho de Segurança

PorBrasília
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Abertura do Debate Geral de Alto Nível da 81.ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizado na Sede das Nações Unidas, Nova York - EUA
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Abertura do Debate Geral de Alto Nível da 81.ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizado na Sede das Nações Unidas, Nova York - EUA • Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar genocídio contra mulheres e crianças na Faixa de Gaza e defendeu a criação de um Estado palestino ao lado de Israel. As declarações foram feitas nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou Lula.

Na sequência, o presidente também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses. “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse.

Lula criticou ainda a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e afirmou que esse tipo de ação pode contribuir para a impunidade de crimes cometidos durante conflitos.

“Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes.”

A postura do presidente brasileiro tem sido crítica ao governo de Israel desde os contra-ataques contra o Hamas. Em 2024, Lula comparou os ataques de Israel contra o povo palestino a atitudes de Hitler, responsável pelo holocausto. Á época, o embaixador brasileiro foi convocado para esclarecimentos em Israel e o presidente chegou a ser declarado como "persona non grata". Na diplomacia, o título significa que o brasileiro é uma pessoa indesejável ao país.

Defesa da solução de dois Estados

O presidente brasileiro defendeu a criação de dois países, Israel e Palestina, como caminho para garantir a segurança das populações dos dois territórios. Segundo Lula, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia dificulta a implementação desse modelo.

“Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em segurança”, afirmou.

Lula também mencionou a relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, Francesca Albanese, e declarou que ela “não pode ser silenciada por dizer a verdade”.

Em outro trecho, o presidente criticou a escalada dos conflitos no Oriente Médio. “Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”, disse.

Críticas à ordem internacional

A situação em Gaza foi abordada no início do discurso, marcado por críticas à incapacidade das Nações Unidas de impedir guerras e proteger populações vulneráveis.

Lula afirmou que a ONU atravessa o momento mais crítico desde que ele começou a participar da Assembleia-Geral, em 2003. “A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, declarou.

O presidente também criticou o Conselho de Segurança, que, segundo ele, está imobilizado pelo poder de veto das grandes potências. “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou.

Ao tratar dos conflitos internacionais, Lula defendeu a negociação diplomática como alternativa à guerra. Sobre o confronto entre Rússia e Ucrânia, declarou: “Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção.”

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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