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Kim Kataguiri, que votou contra o fim da escala 6x1, diz não temer perder votos: ‘PEC farsante’

Apesar disso, o parlamentar afirma não ser contrário à redução na escala de trabalho, mas classificou a PEC apreciada no Congresso como “farsante”

Por e 
Kim Kataguiri (Missão-SP) • Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Um dos 19 deputados federais que manteve o voto contrário à Proposta de Emenda à Constituição que finda a escala 6x1, Kim Kataguiri (Missão), que é pré-candidato ao Governo de São Paulo, afirmou, em entrevista exclusiva à Itatiaia, que não teme se posicionar em pautas “impopulares” e não tem medo de “perder votos” por sua manifestação no Plenário da Câmara Federal. Apesar disso, o parlamentar afirma não ser contrário à redução na escala de trabalho, mas classificou a PEC apreciada no Congresso como “farsante”.

“Eu não tenho nenhum medo de perder votos, de perder apoio por votar uma pauta impopular, se não for para ser populista, se não for para ser enganar o eleitor, não vou mentir para o eleitor, não vou enganar, eu não sou contra o fim da escala 6 por 1, eu sou contra essa PEC farsante, populista que não vai acabar com a escala de nenhuma maneira”, pontua.

Ele argumenta que mesmo com uma possível aprovação, o trabalhador continuaria trabalhando seis dias por semana, especialmente entre os mais pobres, e que a PEC poderia causar aumento da inflação, informalidade ou “sujeito fazendo um bico”. “Não vai ter melhoria na qualidade de vida, porque melhoria na qualidade de vida é muito mais complexo do que você colocar um texto na Constituição”, defende.

“Se fosse tão simples quanto colocar um texto na Constituição, a gente teria uma boa educação, a gente teria uma boa saúde, a gente teria habitação, trabalho, lazer, tudo isso tá na Constituição. E não adianta você não refletir isso na realidade material, se você não trabalha em políticas públicas para de fato melhorar a vida do trabalhador, que inclusive eu tenho iniciativas nesse sentido, há 7 anos já de desoneração de folha de pagamento, de flexibilização de relações trabalhistas, de corte de privilégio, de corte de tributos. Hoje o trabalhador não trabalha a maior parte dos dias nem para o patrão, nem para ele próprio, ele trabalha para o governo”, continua Kim.

O parlamentar pondera que o trabalhador gasta “três dias da semana” labutando para pagar tributos e impostos e defende um “corte radical” nas despesas do governo federal, além da redução da carga tributária no consumo.

“Enquanto a gente não tiver um corte radical de despesas para diminuir a tributação sobre o consumo, que é aquela que mais atinge os mais pobres, que é aquela que é mais regressiva, a gente não vai ter nenhum tipo de melhoria de de de na qualidade de vida dessas pessoas e aliás, todas elas vão ficar desempregadas se a gente não pegar o bonde da inteligência artificial e da automação e qualidade essa mão-de-obra”, diz.

Questionado sobre a PEC paralela que foi encaminhada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Kim disse concordar em princípio, mas pontuou que o texto não será uma solução definitiva. “Eu concordo com a remuneração por hora trabalhada, mas mais uma vez, não é um problema que vai solucionar, não é uma solução que vai tratar tratar estruturalmente do problema material do país”, finaliza.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.