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Jair Bolsonaro teve taquicardia e falta de ar na última semana, diz boletim médico

Documento enviado ao STF informa que sintomas foram registrados em 2 de outubro e tiveram melhora espontânea; ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação a 27 anos e três meses por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado

Por, Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) • Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 71 anos, apresentou um episódio de taquicardia e falta de ar em 2 de outubro, segundo relatório médico semanal elaborado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado. O documento, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última sexta-feira (9) para atualizar as condições de saúde do ex-presidente, informa que os sintomas foram de curta duração e tiveram melhora espontânea, sem novas ocorrências ao longo da semana.

De acordo com o documento, Bolsonaro está clinicamente estável, com as funções hemodinâmica e cardiorrespiratória preservadas. O relatório, assinado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado, aponta, no entanto, a persistência de efeitos colaterais de medicamentos, que provocam instabilidade no equilíbrio corporal e sonolência durante o dia.

O boletim também aponta que o ex-presidente mantém uma dieta com baixo teor de acidez e pouco sal, além de cuidados para reduzir o risco de quedas e de refluxo gastroesofágico - que causa soluços no ex-presidente. Bolsonaro segue sob acompanhamento médico domiciliar.

Histórico de saúde

Em abril de 2025, o ex-presidente foi submetido a uma cirurgia para tratar uma obstrução intestinal e permaneceu internado por cerca de três semanas. Em setembro daquele ano, voltou a ser hospitalizado após apresentar vômitos, tontura e queda de pressão arterial. Exames também apontaram anemia e alterações na função renal.

Em março de 2026, Bolsonaro foi internado com broncopneumonia e chegou a ficar em uma unidade de terapia intensiva. Após a alta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão domiciliar humanitária por razões de saúde. Em maio, o ex-presidente passou por uma cirurgia no ombro direito para tratar uma condição crônica que provocava dores e limitava os movimentos.

Prisão domiciliar e condenação

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A condenação envolve cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. A decisão considerou a participação do ex-presidente na articulação para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022.

A prisão domiciliar foi concedida inicialmente em março deste ano, após a internação por broncopneumonia. Em julho, Moraes decidiu manter a medida, considerando a evolução do quadro clínico do ex-presidente. As demais condições impostas pela Justiça continuaram em vigor.

A defesa de Bolsonaro também apresentou pedidos de revisão criminal para tentar reverter a condenação. Os recursos não suspendem automaticamente o cumprimento da pena.

Situação de Bolsonaro repercute na campanha de Flávio

A situação do ex-presidente também aparece na campanha presidencial de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra Lula, marcado para 25 de outubro.

Flávio tem usado a situação do pai em discursos eleitorais e afirmou que pretende conceder indulto a Jair Bolsonaro caso seja eleito presidente. A possibilidade dependeria de uma decisão do futuro presidente e está sujeita a controvérsias jurídicas sobre o alcance do benefício em relação aos crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado.

O senador também tem defendido a revisão da condenação do pai pelo STF.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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