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Heloísa Helena cobra ‘avanços’ na política econômica de Lula: ‘Não vimos grandes modificações’

Em BH, porta-voz da Rede Sustentabilidade defendeu mudanças nas diretrizes do orçamento federal

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Ao microfone, Heloísa Helena discursa em um evento do Senado Federal
Ex-senadora, Heloísa Helena defende mudanças na lógica orçamentária nacional • Geraldo Magela/Agência Senado

Porta-voz da Rede Sustentabilidade, partido que compõe a base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ex-senadora Heloísa Helena (AL) diz que o governo federal precisa promover “avanços” na política econômica. Ela afirma ter restrições à postura do Palácio do Planalto ante o tema por “coerência histórica”. De acordo com Heloísa, é preciso alterar as diretrizes do orçamento público nacional.

“Infelizmente, do ponto de vista da política econômica, a gente não viu, ainda, grandes modificações. No balanço do orçamento, infelizmente, no ano passado as áreas de educação e da saúde não tiveram acesso ao piso. Piso não é teto. Foi uma conquista para que o mínimo fosse disponibilizado. Não foi alcançado ainda”, apontou, nesta sexta-feira (26), em entrevista exclusiva à Itatiaia.

Segundo Heloísa Helena, que já pertenceu aos quadros do PT e ajudou a fundar o Psol, a divisão do bolo orçamentário é um “dilema histórico” do país.

“É inaceitável (em termos de volume) os recursos destinados para a saúde, especialmente para o SUS, não apenas na atenção básica, mas na alta e média complexidade, para as questões da área da educação, para a segurança pública, para os mecanismos de dinamização da economia local e para a geração de emprego e renda. É de fundamental importância que a gente possa inverter essa lógica perversa, que entrega, à grande maioria do povo, as migalhas que caem dos banquetes fartos do poder e das grandes estruturas econômicas do Brasil. Ainda continua sendo assim. A gente espera que possa ser modificado”, considerou.

Vale lembrar que, no fim do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o governo a cumprir os pisos da saúde e da educação apenas em 2024.

Defesa à taxação de grandes fortunas

Em 2006, quando estava no Psol, Heloísa Helena disputou a Presidência da República. Lula venceu a eleição daquele ano e se credenciou para o segundo mandato à frente do Executivo federal. Ao tecer considerações sobre a política econômica do governo petista, a ex-parlamentar mostra simpatia à taxação de grandes fortunas.

“É de fundamental importância que a gente possa minimizar o grande impacto da concentração de renda no Brasil. É um país profundamente injusto do ponto de vista econômico, onde a tributação das comunidades mais pobres é infinitamente maior”, assinalou, apontando, também, problemas na tributação indireta, que ocorre quando um imposto é embutido no valor final de um produto.

Ao analisar a conjuntura política nacional, Heloísa Helena pregou desprendimento em relação a ações tomadas por gestões anteriores.

‘Narrativa da herança maldita’

“Os governos não podem ficar presos na narrativa da herança maldita, porque os governos têm essa mania. Quando o que é importante, eles alegam que é mérito próprio e, quando são experiências de outros governos, sempre falam em herança maldita”, apontou. “É de fundamental importância construir novos e melhores caminhos, e não ficarmos presos ao passado recente, que é dramático e tem de ser superado, mas não usá-lo como uma cantilena enfadonha e mentirosa para não criar novas e melhores alternativas para o país”, completou.

A representante da Rede no primeiro escalão do governo Lula é a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.