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Governo pede esclarecimentos a 8 fabricantes de celulares sobre apps de apostas em aparelhos novos

Senacon notificou empresas para que informem sobre a existência de possíveis acordos entre elas e empresas do setor de jogos de azar

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'Jogo do Tigrinho' é um dos mais famosos entre os jogos ilegais • Créditos: CNN Brasil

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, informou nesta quinta-feira (19) que pediu esclarecimentos aos fabricantes de celulares sobre aplicativos de apostas que já vêm instalados em aparelhos novos.

Na quarta-feira (18), oito empresas foram notificadas. São elas:

  • Samsung Brasil; 
  • DL Comércio e Indústria de Produtos Eletrônicos (distribuidora da Xiaomi); 
  • LG Brasil; 
  • Motorola Mobility; 
  • Positivo; 
  • Multilaser; 
  • TCL Semp Eletrônicos;
  • Asus Brasil. 

As companhias têm dez dias para responder à Senacon.

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), responsável pelas notificações, pede informações sobre a existência de possíveis acordos entre as fabricantes de celulares e empresas do setor de jogos de azar.

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As empresas notificadas terão que responder às seguintes perguntas:

  • Os novos celulares estão sendo comercializados com aplicativos de apostas pré-instalados?
  • Quais são os jogos de apostas pré-instalados, caso a resposta seja afirmativa?
  • A fabricante tem algum contrato ou acordo comercial com empresas de apostas para comercializar celulares com esses aplicativos?
  • Quais os termos dos contratos firmados?
  • Os consumidores estão sendo informados de forma clara sobre os seus direitos, as condições e os termos de uso dos aplicativos, bem como os riscos de endividamento e de ludopatia (condição médica caracterizada pelo desejo incontrolável de continuar jogando, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde) associados às apostas?
  • Existem mecanismos para impedir o uso desses aplicativos por crianças, adolescentes ou outros grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com dependência em jogos?

O órgão pediu ainda que as empresas apresentem cópias dos contratos firmados por elas com as empresas de apostas para analisar detalhadamente os termos.

Segundo a Senacon, o não cumprimento do pedido pode resultar em sanções por desobediência, como multas e abertura de processo administrativo, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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