Flávio Bolsonaro envia defesa por escrito e evita depoimento à PF sobre Lula
Defesa entregou esclarecimentos por escrito; com isso, depoimento por videoconferência marcado para esta terça foi cancelado

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou por escrito à Polícia Federal sua versão no inquérito que apura a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a entrega do documento pela defesa, o depoimento por videoconferência que estava marcado para às 14h desta terça-feira (28) foi cancelado.
Agora, caberá à Polícia Federal analisar o conteúdo dos esclarecimentos apresentados para decidir se serão necessárias novas diligências antes da conclusão da investigação. Após essa etapa, o caso será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitar novas providências ou pedir o arquivamento do inquérito.
A investigação foi instaurada após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X, em janeiro deste ano, na qual o senador afirmou que Lula "será delatado" e associou o presidente a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e fraudes eleitorais. Para a Polícia Federal, as declarações atribuíram falsamente ao chefe do Executivo a prática de crimes, o que pode configurar o delito de calúnia previsto no Código Penal.
Inicialmente, a defesa do senador havia solicitado que ele fosse ouvido formalmente pela Polícia Federal. O depoimento chegou a ser marcado, foi adiado a pedido dos advogados e, posteriormente, substituído pela manifestação escrita entregue nesta terça-feira. A oitiva havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, após pedido da Procuradoria-Geral da República.
Segundo a PGR, a oitiva do investigado era importante para permitir o exercício do direito de defesa e avaliar eventual retratação, possibilidade prevista na legislação para crimes contra a honra. Com a entrega das informações por escrito, a investigação entra agora em sua fase final de análise pelas autoridades responsáveis.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



