Ex-noiva de Vorcaro desabafa e detalha relação com dono do Master
Martha Graeff voltou às redes sociais após repercussão gerada por mensagens vazadas e disse que não sabia das possíveis fraudes cometidas pelo banqueiro

A ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, Martha Graeff, se pronunciou nesta quarta-feira (8), em seu perfil no Instagram, sobre as conversas do casal que foram vazadas no âmbito das investigações da fraude financeira relacionada ao Banco Master. Ela estava afastada das redes desde o início de março, quando seu nome foi envolvido no escândalo.
Em um vídeo publicado na rede social, Graeff relatou que se sentiu violentada pela repercussão e pelo vazamento das mensagens pessoais. Ela também disse que não recebeu nenhuma vantagem indevida durante seu relacionamento com o banqueiro.
“Eu fui linchada, eu fui vulgarizada, eu sofri uma violência sem tamanho, sem precedentes. E é importante que vocês saibam todos os detalhes do que aconteceu. Isso que aconteceu comigo poderia ter acontecido com qualquer outra mulher. E o que foi muito triste de ver foi que outras mulheres que levantam bandeiras e que se dizem espirituais, usaram o meu sofrimento, usaram essa violência para a ganhar engajamento na internet. Então, diante de uma coisa tão séria, isso me deixa muito mal, porque eu sempre levantei a bandeira de ajudar outras mulheres, da gente se erguer, principalmente nos momentos mais difíceis”, relatou.
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As mensagens entre Vorcaro e Graeff vazaram após a segunda prisão preventiva do banqueiro, ocorrida em 4 de março. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) por indícios de que o banqueiro articulava ações violentas como intimidação e planejamento de ataques físicos a jornalistas.
No vídeo em que detalha a relação com Vorcaro, Graeff disse que ficou sabendo sobre as acusações a Vorcaro via imprensa e que não fazia ideia das possíveis irregularidades nas operações do Banco Master.
“Eu moro fora há uns 22 anos, talvez mais e esse relacionamento foi à distância. Estava tudo bem, eu estava feliz, até as coisas começarem a sair na imprensa. Foi quando eu também comecei a perceber ou entender junto com todo mundo, na época ele não era uma pessoa investigada. Eu não sabia, muita gente pergunta: ‘Nossa, mas ela não sabia?’. Não, eu não sabia. Não só eu não sabia, como ninguém mais sabia, nem as pessoas daquele meio, os órgãos reguladores, os clientes, ninguém sabia. Eu acho que todos começaram a entender o que estava acontecendo juntos”, declarou.
A ex-noiva de Vorcaro complementou dizendo que não está envolvida nas investigações sobre o ex-noivo e que não enriqueceu durante a relação com o banqueiro.
“É muito importante deixar claro que eu não sou investigada, eu não sou acusada. Muitas coisas se falaram de patrimônio. O meu patrimônio hoje é idêntico, ele é exatamente igual ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco, isso tudo é mentira. E sobre festas e viagens, eu nunca soube de detalhes. Eu nunca organizei. Muitas delas foram surpresa para mim, inclusive o noivado”, explicou.
As conversas do casal e o escândalo
Embora de cunho privado, as mensagens entre Vorcaro e Graeff detalham a relação entre o banqueiro e figuras poderosas em Brasília. A rede intrincada de contatos e influências é apontada como primordial para que o Master conseguisse um crescimento exponencial em suas receitas em um período de pouco mais de cinco anos e emplacar fraudes no setor financeiro sem a interferência de órgãos reguladores.
As conexões de Vorcaro envolvem o alto escalão do Legislativo e Judiciário em Brasília. No Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, se destacam movimentos como a contratação milionária do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a relação entre o banco e negócios da família do ministro Dias Toffoli.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro do ano passado, dia seguinte ao qual Vorcaro foi preso pela primeira vez. A instituição se notabilizou nos últimos anos por um crescimento meteórico de patrimônio e por uma postura agressiva no mercado. O comportamento da instituição já chamou a atenção de autoridades reguladoras.
A trajetória do banco nesta década envolveu aportes bilionários em empresas com pouca capacidade econômica de dar retornos financeiros aos investimentos. Investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou que as movimentações traziam suspeitas, inclusive, de transações que favoreciam empresas vinculadas à irmã de Vorcaro.
O aumento baseado na emissão de CDBs cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para pessoas físicas — o que é um indicativo de baixa liquidez — chamou a atenção do mercado financeiro e do Banco Central e colocaram o Master no radar das instituições reguladoras.
Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou o interesse em comprar 58% do capital do Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação foi investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e passou pelo crivo do Banco Central.
Em setembro, após mais de cinco meses de análise, o Banco Central decidiu reprovar a transação. A medida foi justificada pelos riscos considerados excessivos para a transação devido à diferença nos ativos detidos pelas duas instituições.
Entre o anúncio do interesse do BRB e a decisão do Banco Central em barrar a negociação com o Master, houve entre analistas do mercado financeiro uma percepção de que a transação se caracterizava como uma operação de resgate de um banco privado em situação de iminente insolvência financeira por uma empresa estatal.
Uma nova transação foi anunciada na véspera do caos vivido pelo banco nesta terça-feira. Na segunda (17), a Fictor Holding Financeira anunciou que injetaria R$ 3 bilhões no Master. A operação seria feita por um consórcio que contava ainda com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
A operação, embora anunciada e celebrada por ambas as partes envolvidas na transação, ainda estava sujeita à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
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