Esquerda e direita fecham apoio a Doorgal e explicam expectativas com novo presidente da ALMG
Opostas no espectro político, bancada do PL e o bloco de esquerda na Assembleia Legislativa embarcaram na candidatura de Doorgal Andrada (PP), que deve ser o candidato único à presidência da Casa na próxima legislatura

Passada a eleição, a discussão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já se volta para a composição da mesa diretora e das comissões permanentes a partir de 2027. Para a próxima legislatura, um acordo já parece definido: o lançamento de Doorgal Andrada (PP) como candidato único para a presidência da Casa. O deputado tem o apoio de bolsonaristas e petistas em um consenso que tradicionalmente marca a definição do comando da Assembleia.
Em entrevista durante a sessão de plenário nesta quarta-feira (28), o deputado estadual Bruno Engler (PL), o mais votado da bancada de 21 parlamentares do PL (o partido com maior representação na nova legislatura), falou sobre a decisão de apoiar Doorgal após a legenda ter cogitado um candidato próprio à presidência da Casa.
“Eu cheguei a colocar o meu nome à disposição para disputar a presidência desta Casa, porém ficou constatado que a candidatura do deputado Doorgal já era uma candidatura sólida, que estava consolidada. O deputado Doorgal é de centro-direita, em muitas das coisas ele tem uma visão semelhante à nossa, e o que ficou pleiteado, não posso dizer aqui cargo a cargo o que ficou combinado, mas é que o PL vai ter o espaço que lhe é devido, uma vez que se trata da maior bancada aqui dessa casa. [...] Conversei muito com o Doorgal também a respeito da pauta, para que a gente consiga destravar e pautar projetos que são importantes para a bancada, projetos mais da direita. Ele foi muito receptivo a essa demanda”, afirmou Engler.
O deputado do PL afirmou ainda que o partido pretende discutir o protagonismo nas principais comissões da Casa, as instâncias que discutem os projetos antes das votações no plenário. Com um protagonismo numérico na Assembleia, Engler não descartou que a legenda pleiteie a presidência de comissões centrais como Constituição e Justiça; Fiscalização Financeira e Orçamentária; e Administração Pública.
O apoio a Doorgal tende a ser irrestrito na Assembleia. Do lado da esquerda, o bloco Democracia e Luta, formado por PT, PV, PCdoB, Rede e PSOL também anunciou que votará no parlamentar do PP para a presidência da Casa.
A deputada Leninha, presidente estadual do PT e 1ª vice-presidente da Assembleia comentou a decisão do bloco de esquerda em apoio a Doorgal e disse que o endosso não significa abrir mão das convicções dos parlamentares progressistas.
“O nosso bloco tomou essa decisão a partir de muitas conversas e avaliação coletiva sobre o papel que a Assembleia Legislativa precisa cumprir nos próximos anos. A gente entende que a candidatura do deputado Doorgal Andrada reúne as condições para construir uma presidência aberta aos diálogos, que respeite todas as bancadas, inclusive aquelas, como a nossa, que fazem oposição. É importante dizer que esse apoio não significa abrir mão das nossas posições políticas. Temos um projeto político, compromisso com a população mineira e também uma trajetória de defesa dos direitos sociais que seguiremos honrando com muita firmeza. O que nós queremos é uma Assembleia independente, que tenha autonomia para fiscalizar o executivo, que respeite a diversidade de posições e que seja acima de tudo um espaço de construção de políticas públicas em benefício do povo de Minas Gerais”, declarou.
Historicamente, a definição dos presidentes da Assembleia é marcada por uma discussão de bastidores e o fechamento dos 77 parlamentares em torno de um único nome. As presidências nos últimos quatro mandatos, assumidos por Agostinho Patrus (então no PV) e por Tadeu Martins Leite (MDB) foram marcadas, além do consenso entre deputados, por uma maior autonomia de decisão dos integrantes da Casa em relação aos desígnios do Executivo.
A eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais acontece em fevereiro, quando os deputados tomam posse para a nova legislatura. Além do presidente, são escolhidos parlamentares para as funções de 1º vice-presidente, 2º vice-presidente, 3º vice-presidente, 1º-secretário, 2º-secretário e 3º-secretário, todos eles com mandato de dois anos.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



