Erika Hilton dispara contra direção do PSOL: ‘Chocada e decepcionada’
Deputada federal usou suas redes para fazer várias críticas ao próprio partido

A deputada federal Erika Hilton (PSOL) usou suas redes sociais nesta terça-feira (23) para criticar a direção do próprio partido e citar uma tentativa de sabotagem interna.
“Simplesmente chocada e decepcionada. Para mim, vocês sabem, a política real se faz nas ruas, nas redes, com transparência, papo reto e propósito. Não se faz escondendo os problemas debaixo do tapete ou com tentativas de sabotagem”, escreveu Hilton.
“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade. Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, continuou a deputada.
A parlamentar afirma que precisa de uma estrutura melhor para poder fazer campanha e cita amaças das quais já foi alvo. "Tenho um orgulho imenso de ter ajudado a levar a luta pelo fim da escala 6x1 para o Brasil inteiro. As ruas estão do nosso lado. Mas fazer campanha no nosso país não é igual para todos. Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar São Paulo, maior estado do país, puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo. Nossos corpos correm riscos que a burocracia do partido não pode simplesmente ignorar, com o risco de inviabilizar nossa pré-candidatura à reeleição, rebaixar o máximo potencial dos nossos votos… e colocar em risco nossa integridade física", afirmou Hilton.
'Manuela D'ávila acabou de chegar ao partido'
Erika Hilton citou o presidente da federação PSOL, Juliano Medeiros, e a ex-deputada Manuela D'Ávila, que segundo a parlamentar, "acabou de chegar ao partido e tem previsão de receber mais que o dobro".
"É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D'Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios… A inteligência política passou longe. É uma tentativa de asfixiar quem está na linha de frente em detrimento de um perfil de pré-candidaturas bem específico, de grupos que só pensam em si mesmos e estão, mais uma vez, arriscando a viabilidade do PSOL", continuo Hilton.
"Ninguém quer tirar o básico ou negar importância de quem está nas suas primeiras campanhas. O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra", finalizou Érika Hilton.
Outro lado
Em nota, a direção nacional do PSOL afirmou empenhar "toda sua energia" para "derrotar a extrema-direita nas eleições de outubro, ampliando sua bancada de deputados federais e estaduais, conquistando cadeiras no Senado e reelegendo Lula presidente da República".
"A distribuição de recursos eleitorais está em conformidade com esses objetivos. O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido. A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto", pontua o texto.
"Ao mesmo tempo, posiciona a campanha de Érika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido, diante do limite de recursos disponíveis e da necessidade de financiamento das demais candidaturas, tanto majoritárias quanto proporcionais em todas as Unidades da Federação. O PSOL tem como missão fazer a política brasileira se parecer mais com o povo. Por isso, nossa bancada é a mais diversa do Congresso Nacional. Em 2026, vamos novamente transformar esse compromisso em representação concreta", conclui.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.



