Belo Horizonte
Itatiaia

Equipe reforça segurança de Michelle Bolsonaro após aumento de ataques nas redes sociais

Mudanças incluem alterações de itinerários, horários e protocolos de proteção; preocupação é que hostilidades virtuais possam evoluir para ameaças físicas

Por
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama do Brasil • Beto Barata / PL.

A equipe de segurança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reforçou os protocolos de proteção após identificar um aumento expressivo de ataques e manifestações hostis contra ela nas redes sociais. Entre as mudanças adotadas estão alterações de itinerários, horários de deslocamento, posicionamento dos agentes e até na escolha do armamento utilizado pela equipe de segurança.

Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, o monitoramento das redes sociais sempre fez parte da rotina da equipe, mas o nível de atenção foi elevado a partir de novembro de 2025, quando Michelle passou a ser alvo frequente de críticas e ataques públicos. Na época, o blogueiro Allan dos Santos publicou mensagens criticando a atuação da ex-primeira-dama e questionando sua postura em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a equipe de segurança, a partir daquele momento houve um crescimento significativo das manifestações ofensivas nas plataformas digitais.

O cenário piorou neste ano após Michelle divulgar um vídeo em que criticou o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nas gravações, a ex-primeira-dama afirmou ter levado uma "punhalada" e tornou público o desgaste na relação com o enteado, citando divergências internas no PL, especialmente envolvendo articulações políticas no Ceará.

Após a divulgação do conteúdo, a equipe de monitoramento identificou que o volume de publicações ofensivas mais que dobrou. Segundo o levantamento, aliadas de Michelle, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), também passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais.

Inteligência identificou padrão de ataques

O trabalho de inteligência da equipe detectou padrões de repetição nas publicações, incluindo o uso recorrente de expressões como "traidora" e ofensas de cunho sexual. Também foi observado que muitos usuários passaram a se referir à ex-primeira-dama apenas como "Michelle Firmo", deixando de utilizar o sobrenome Bolsonaro.

De acordo com o levantamento, parte das contas responsáveis pelas publicações estaria localizada principalmente nos Estados Unidos e na Austrália. A equipe também identificou um efeito de reprodução das mensagens, com usuários incentivando que outras pessoas repetissem os mesmos ataques e ofensas. Além das postagens nas redes sociais, parlamentares e outras lideranças do PL passaram a compartilhar, em grupos de WhatsApp, uma figurinha que retrata Michelle usando uma camisa do Partido dos Trabalhadores (PT).

A principal preocupação da equipe de segurança é que a escalada das hostilidades virtuais possa estimular ações presenciais. Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, existe o temor de que um "lobo solitário", termo utilizado para descrever pessoas que agem individualmente, possa tentar praticar algum ato contra Michelle. Por esse motivo, detalhes das mudanças adotadas nos protocolos de segurança não foram divulgados, para preservar a estratégia de proteção.

Novos episódios

Na última semana, durante agenda de Flávio Bolsonaro no Ceará para o lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado, a equipe de Michelle também identificou novas manifestações hostis atribuídas a apoiadores do pré-candidato ao governo cearense Ciro Gomes (PSDB).

Os ataques também aumentaram depois que Michelle elogiou a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ao classificar a iniciativa como um "sonho realizado", a ex-primeira-dama voltou a ser alvo de críticas de parte da base bolsonarista, que passou a reforçar o uso do termo "traidora" para se referir a ela.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.