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Entenda o esquema para a compra de apartamento milionário de Jaques em Salvador

Esquema montado tinha como principais operadores Guilherme Sodré, filho de enteado de Jaques Wagner, e os irmãos Daniel e David Monteiro; Reag também estava por trás de pagamentos

PorBrasília
Polícia Federal

Para afastar suspeitas sobre a compra de um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, atribuído ao senador Jaques Wagner (PT-BA), teria sido montada uma operação de intermediação para a aquisição do imóvel, segundo a Polícia Federal (PF).

No relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgado pelo relator do caso, ministro André Mendonça, na quinta-feira (30), Guilherme Sodré é apontado como o principal intermediador da negociação. A compra teria sido feita diretamente com os irmãos Daniel Monteiro, conhecido pelo apelido de "Dudu", e David Monteiro, responsáveis pela administração financeira da empresa Epitome S.A., ligada à estrutura empresarial de Daniel Vorcaro.

Guilherme Sodré é filho de Eduardo Sodré, enteado do senador Jaques Wagner, e marido de Bonnie Toaldo Bonilha. Segundo os investigadores, os diálogos analisados entre Daniel Monteiro e Guilherme Sodré, descrito pela PF como próximo ao senador, tratavam principalmente de questões burocráticas envolvendo o imóvel.

“Daniel Monteiro aparentava exercer papel central na administração e condução das questões relacionadas ao apartamento, na medida em que era consultado acerca da conveniência, ou não, da assinatura do documento encaminhado pela construtora, realizava a interlocução com Guilherme Sodré e solicitava a elaboração da Cessão do CCV (Instrumento Particular de Compromisso de Cessão de Direitos de Aquisição e Outras Avenças)”, afirma o relatório da PF.

As conversas encontradas pelos investigadores sobre a negociação do apartamento são posteriores à deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Como foi feita a compra?

De acordo com a investigação, a aquisição do imóvel envolveu a empresa Epitome S.A., registrada em nome do diretor Luiz Lombardi. Antes da operação, a companhia passou por mudanças estruturais, incluindo alteração de nome, anteriormente chamada NK 322 Empreendimentos e Participações S.A., endereço, objeto social e aumento do capital, que teria passado de R$ 100 para mais de R$ 2 milhões.

A justificativa apresentada para as mudanças, incluindo o aumento do capital social, foi a aquisição da empresa por um fundo de investimento administrado pela Reag, empresa ligada a Daniel Vorcaro.

Após a compra, Luiz Lombardi foi nomeado diretor da companhia. A PF levanta a suspeita de que ele possa ter sido utilizado como um possível laranja, já que nas ligações ele aparece como uma "pessoa interposta" para ocultar os verdadeiros compradores da operação.

Segundo os investigadores, o histórico profissional dele indicava atuação anterior como vendedor varejista. A PF identificou que seu nome aparece à frente da direção em outras empresas ligadas a rede de Vorcaro, entre elas a Pegasus Empreendimentos e Participações S.A., enquanto mantinha o vínculo profissional anterior.

A Reag, responsável pela aquisição da empresa dirigida por Lombardi, era operada por João Carlos Mansur. Segundo a investigação, pagamentos relacionados à operação foram registrados em uma planilha mantida por Guilherme Sodré.

Caminho do dinheiro

Uma planilha intitulada “Pagamentos Mansur” registrava valores destinados a uma pessoa identificada pelas iniciais “DLM”. A PF associa a sigla aos irmãos Daniel Lima Monteiro e David Lopes Monteiro, operadores da Epitome S.A.

No documento, também há indicação de que os valores deveriam ser reembolsados por “Mansur”.

A planilha ainda registra pagamentos destinados a uma pessoa identificada pelo apelido “Dudu”. No controle financeiro, os repasses aparecem como “Pagamentos Daniel” e teriam ocorrido nos meses de abril, junho e julho de 2024, totalizando mais de R$ 2,34 milhões.

Estrutura empresarial ligada a Vorcaro

A Polícia Federal também identificou outro possível caminho dos recursos dentro de empresas relacionadas a Daniel Vorcaro.

Os nomes envolvidos na operação financeira da compra do apartamento aparecem como sócios ou administradores de empresas como a Mytra Consultoria e Participações Ltda., ligada aos irmãos Daniel e David Monteiro, e a Pegasus Empreendimentos e Participações S.A., dirigida por Luiz Lombardi.

Segundo o relatório, uma planilha de pagamentos indicaria uma sequência operacional para a movimentação dos valores: “Mansur aporta no Sebastian. Sebastian aporta na Pegasus. Mytra emitirá Nota contra a Pegasus.”

Para a PF, o registro apontaria o possível fluxo financeiro utilizado na operação de aquisição do imóvel.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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