Empresário que chorou em quartel de BH desiste de ação que pedia para continuar protesto na Raja
Esdras Jonatas dos Santos havia acionado a Justiça para permanecer em frente à 4ª Região Militar

O empresário mineiro Esdras Jonatas dos Santos, que ficou conhecido em janeiro por ter chorado durante ação da Prefeitura de Belo Horizonte que desmobilizou um acampamento em frente ao quartel da 4ª Região Militar, na avenida Raja Gabaglia, desistiu, na tarde desta quarta-feira (8), da ação judicial que pedia para continuar o protesto no local.
"Juiz, o Autor não tem nenhum interesse em retomar ou fazer qualquer tipo de manifestação, acampamento ou presença na Av. Raja Gabaglia. Desde o ano passado o Impetrante nunca mais retornou ao local e não tem qualquer tipo de interesse em permanecer na Av. Raja Gabaglia, ou fazer ali qualquer tipo de protesto ou ato jurídico. Desta forma, requer a extinção, baixa e arquivamento definitivo do presente autos do processo", mostra trecho do recurso feito pela defesa de Esdras. Apesar da argumentação, vídeos gravados pelo próprio empresário e disponibilizados em suas redes sociais mostram que ele estava, em janeiro, na manifestação.
O empresário havia acionado a Justiça estadual no dia 6 de janeiro, mesma data da operação da prefeitura. Na ação, Esdras solicitava continuar se manifestando em frente ao quartel - o pedido foi aceito, na época, pelo juiz Wauner Machado, da 2ª Vara da Fazenda Pública, e esta mesma decisão acabou gerando o afastamento do magistrado a partir de uma decisão do corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A atuação de Esdras na manifestação também gerou problemas ao empresário, que viajou para os Estados Unidos nos dias seguintes da operação da prefeitura. Na época, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, cancelou o passaporte de Esdras, mas o mineiro já estava em Miami.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
