Zema promete privatizações e superpresídio na Amazônia se for eleito
Com agenda ultraliberal, candidato à presidência defende vender todas as estatais, fazer uma nova reforma da Previdência, enquadrar facções como terroristas e isolar líderes do crime organizado

Oficializado nesta segunda-feira (27) como candidato à Presidência da República pelo partido Novo, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reforçou seu compromisso com uma agenda econômica ultraliberal, marcada pela defesa de privatizações e de uma nova reforma da Previdência. Para área da segurança pública, Zema destacou o desejo de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e construir um presídio de segurança máxima em uma área remota da Amazônia.
A candidatura foi lançada durante a convenção nacional do Novo, em Brasília. O evento reuniu o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo do Ceará, e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, pré-candidato ao Senado pelo Paraná.
Em seu discurso, Zema afirmou que, se eleito, pretende vender todas as empresas estatais federais e destinar os recursos para investimentos em infraestrutura.
"Precisamos de um Estado menor, mais eficiente e que deixe de competir com a iniciativa privada", afirmou o candidato, ao defender a privatização de empresas como Petrobras e Banco do Brasil.
O presidenciável também prometeu encaminhar ao Congresso uma nova reforma da Previdência para reduzir despesas obrigatórias e equilibrar as contas públicas, e uma reforma administrativa, reduzindo ministérios e funcionários públicos.
Facções como terroristas
Na área da segurança pública, Zema disse que classificará o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida semelhante à adotada recentemente pelos Estados Unidos.
"Quero que o Brasil retome a soberania que estamos perdendo. Tem gente falando que o Brasil está perdendo soberania porque os Estados Unidos enquadraram facções como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo", declarou.
O candidato também prometeu construir um presídio de segurança máxima para isolar lideranças do crime organizado.
"Vamos construir um superpresídio, de preferência em um lugar remoto, no meio da Amazônia. Os líderes dessas facções vão mofar lá por pelo menos 25 anos", afirmou.
Discurso contra o PT e a polarização
Ao longo da convenção, Zema voltou a direcionar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que encontrou Minas Gerais em um cenário de "terra arrasada" ao assumir o governo estadual, em 2019, após a gestão de Fernando Pimentel (PT).
O presidenciável também defendeu o fim da polarização política e afirmou que o eleitor brasileiro passou a votar "contra alguém", em vez de escolher um projeto de governo.
Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro nome da direita na disputa pelo Planalto, Zema afirmou ainda que o próximo presidente da República não pode ter "rabo preso" com corruptos, em referência ao escândalo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
Esta será a terceira eleição majoritária disputada pelo Novo. Segundo a legenda, o partido lançará cerca de 1.250 candidatos em todo o país nas eleições deste ano. Zema tenta se consolidar como uma alternativa à polarização entre o presidente Lula, que disputará a reeleição pelo PT, e o campo político liderado pelo PL, de Flávio Bolsonaro.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



