Itatiaia

Propaganda no rádio e TV permite que candidatos escapem do algoritmo das redes

Cientista político avalia as estratégias das campanhas no horário eleitoral gratuito e como as propagandas furam a bolha das redes sociais

Por e 
Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral começa no dia 30 de agosto
Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral começou no dia 28 de agosto • Divulgação / Agência Senado

O cientista político Malco Camargos avalia que o horário eleitoral gratuito ainda cumpre um papel central nas campanhas políticas mesmo com a proeminência das redes sociais. Em entrevista à Itatiaia, o pesquisador avaliou as estratégias das campanhas e como as propagandas no rádio e na televisão podem favorecer os candidatos a conversar com mais eleitores.

 

Embora questione-se sua relevância na era digital, o horário eleitoral gratuito permanece como um pilar da comunicação política brasileira. Segundo Camargos, o formato atual do horário eleitoral funciona através de duas frentes estratégicas distintas que buscam conquistar o eleitor. De acordo com o cientista político, os partidos dividem seu tempo entre a exposição institucional e o embate direto nos comerciais inseridos durante a programação das emissoras.

 

"A primeira estratégia é feita para que esse bloco de 25 minutos que entra no rádio de manhã e na hora do almoço, na televisão na hora do almoço e à noite. Esse horário é mais institucional porque você consegue identificar cada um dos candidatos. Então, principalmente agora no início, será tempo de apresentação, tempo de mostrar os seus padrinhos do seu time e tempo de colocar o candidato no jogo. Mas no tempo da televisão e no rádio que vem nos comerciais, a estratégia é completamente diferente. É neste lugar que os candidatos vão, além de tentar mostrar as suas propostas, se apresentar, mas vão também falar dos adversários. E aí que o embate se dá nas campanhas, é nos comerciais e não no horário eleitoral gratuito que passa naquele bloco de 25 minutos", explicou.

 

O professor também tratou sobre a diferença entre a propaganda gratuita e o ecossistema das redes sociais. Para ele, o rádio e a TV ainda possuem uma vantagem crucial ao não serem limitados por bolhas ideológicas:

 

"As redes sociais privilegiam o grupo político que você está alinhado. Então você vai receber material daquele mesmo grupo. A propaganda gratuita de rádio e televisão, ela vai priorizar o grupo político estrutural, porque ela é diferenciada. Aqueles que têm mais deputados, que têm mais partidos, aqueles que têm um grupo político maior, têm mais tempo de TV. Então ela gera vantagens para aqueles que têm maior relação política. Já nas redes sociais, às vezes você tem um candidato de um partido muito pequeno, mas que por ter um grande número de seguidores e apoiadores, independente do grupo político, ele pode ter um bom desempenho", avaliou.

 

Veja a entrevista completa:

 

Por

Kátia Pereira é jornalista formada pelo Uni-BH e tem especialização em História e Cultura Política pela UFMG. Está na Itatiaia desde 2002. Desde 2005 é titular do Jornal da Itatiaia 1ª Edição. Também apresenta o Jornal da Itatiaia Tarde, é editora e apresentadora do Palavra Aberta e apresenta conteúdo no canal da Itatiaia no Youtube. Recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria Âncora de Rádio. Tem passagens por Record TV Minas, Super Notícias/O Tempo e assessoria na Assembleia Legislativa

Por

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

Belo Horizonte