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Por que Minas Gerais é considerada o termômetro das eleições no Brasil?

Especialista explica como a diversidade faz do estado uma referência nas disputas presidenciais

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Bandeira de Minas Gerais
Bandeira de Minas Gerais • Freepik/Reprodução

Minas Gerais é frequentemente apontado como o principal “termômetro” das eleições presidenciais no Brasil. A diversidade regional, econômica e social do estado é uma das principais razões para a proximidade histórica entre o resultado nas urnas mineiras e o desfecho da disputa nacional.

Segundo o cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo essa pluralidade ajuda a explicar o fenômeno. “Minas é uma espécie de síntese do Brasil. O estado tem regiões muito diferentes entre si e que guardam fortes semelhanças com outras partes do país”, explica.

O histórico eleitoral reforça essa percepção. Nas eleições de 2010, 2014 e 2018, Minas foi a Unidade da Federação com a menor diferença entre a votação local e o resultado final para a Presidência da República.

Diferentes 'Brasis' em um só território

Fazendo fronteira com seis estados, Minas Gerais reúne realidades econômicas e sociais distintas. Para Ranulfo, a vizinhança geográfica molda essas identidades. “No Sul de Minas, a influência de São Paulo é evidente. Já na Zona da Mata, a proximidade cultural e econômica é maior com o Rio de Janeiro. Indo para o Norte do estado, a referência passa a ser o Nordeste brasileiro, a região do semiárido e suas particularidades”, afirma.

No Triângulo Mineiro, por sua vez, a convergência vem de duas frentes. “O Triângulo sofre influência tanto de São Paulo quanto do Centro-Oeste, muito por conta do peso do agronegócio”, aponta o especialista.

A extensão territorial e o elevado número de municípios também impactam a dinâmica política local. “Belo Horizonte não funciona como um centro irradiador de política para todo o estado. Por ser um território muito amplo e com muitos municípios, a capital tem sua influência diluída”, esclarece Ranulfo.

Minas não decide sozinha

Apesar da tradição, Ranulfo ressalta que o estado não decide o pleito isoladamente. “Isso não significa que Minas seja o único estado-chave. Para vencer a eleição, é preciso conquistar votos em todas as regiões do país”, pondera.

O cientista político destaca que Minas funciona primordialmente como uma amostragem das tendências eleitorais do país. “O estado é um indicador do comportamento do eleitorado brasileiro. Trata-se de uma leitura sobre a tendência dos eleitores, não necessariamente sobre a articulação dos políticos”, explica.

Por fim, o analista lembra que o padrão histórico não é uma regra imutável. “Essa dinâmica sempre vai se repetir? Não necessariamente. As próximas eleições podem nos surpreender. Ainda assim, a diversidade mineira continua sendo a principal explicação para o alinhamento histórico com o resultado nacional”, conclui Carlos Ranulfo.

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Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atuou na assessoria de comunicação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e nas redações da Rede Minas e da Rede Catedral. Atualmente, cobre as eleições de 2026 pela Itatiaia.

 

 

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