‘Pessoas que moram em favela não podem ir e vir’, afirma Renan Santos
Em sabatina do Jornal O Globo, candidato à Presidência da República critica domínio do crime organizado e defende política de “desfavelização”

O candidato à Presidência da República em 2026, Renan Santos (Missão), afirmou que moradores de regiões dominadas pelo crime organizado não têm garantido o direito de ir e vir e não estão plenamente inseridos no Estado Democrático de Direito. Durante sabatina do Jornal O Globo, nesta quinta-feira (27), ele defendeu uma política de “desfavelização” como parte da estratégia de combate às facções criminosas.
Direito de ir e vir
Renan afirmou que regiões controladas pelo crime organizado vivem sob um “regime paralelo”, no qual os moradores não têm acesso pleno a direitos garantidos pelo Estado.
“Pessoas em regiões tomadas pelo crime organizado não estão circunscritas naquilo que a gente chama de Estado Democrático de Direito. Elas não estão. Elas estão vivendo em um regime paralelo. Negar isso é negação da realidade”, afirmou.
Segundo o candidato do Missão, o domínio das facções também interfere na liberdade de circulação dos moradores. “Uma pessoa que mora na favela não pode ir e vir. Se ela pedir um Uber, ela pode tomar paulada. Aqui no Rio, passaram um salve aí: se você pega um Uber e não manda para a favela, você vai tomar paulada”, declarou.
Combate às facções
Para enfrentar o crime organizado, Santos afirmou que pretende atuar sobre o controle territorial e a estrutura financeira das facções. “Primeiro, eu reconheço que existe uma guerra. Segundo, eu preciso desmontar os inimigos que eu tenho nessa guerra”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia deve atingir tanto a ocupação territorial quanto as atividades financeiras e os negócios das organizações criminosas. “Eu tenho que estrangular eles na ocupação territorial que eles fazem e no trabalho financeiro e nos negócios que eles fazem”, declarou.
Política de “desfavelização”
O candidato voltou a defender a “desfavelização” como uma das etapas de sua política de segurança pública. Segundo ele, a proposta envolveria a retomada dos territórios pelo Estado e o enfraquecimento das lideranças criminosas.
“É uma política de ocupação, destruição da liderança do crime organizado, desmonte estratégico com coordenação nacional dessas facções, que é algo que nunca foi tentado”, afirmou.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



