O 'deputado médio' eleito por MG é homem, branco, tem faculdade e R$ 5 milhões de patrimônio; veja a comparação com o eleitor
Dados da Justiça Eleitoral compilados pela Itatiaia mostram uma grande discrepância entre o perfil da população mineira e os parlamentares eleitos para representá-lo na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados

No último domingo (4), 12,6 milhões de eleitores foram às urnas em Minas Gerais e elegeram 53 deputados federais e 77 deputados estaduais. A partir das análises informadas pelos candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o perfil médio do parlamentar eleito no estado é de um homem branco, de 48 anos, casado, com ensino superior completo e com um patrimônio de R$ 5 milhões.
A realidade dos parlamentares eleitos é bastante distinta da do eleitor que os concederam um mandato na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A discrepância mais gritante se dá no bolso. A média de R$ 5 milhões em bens declarados pelos futuros congressistas é completamente distante da realidade do mineiro médio.
Não há uma base de dados extensa e completa sobre o patrimônio de todos os mais de 20,5 milhões de habitantes de Minas. No entanto, uma análise do painel do perfil do declarante do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) da Receita Federal permite uma análise baseada nos dados dos mais de 4 milhões de mineiros que declararam renda em 2026.
Segundo o painel da Receita, 63,3% dos mineiros que declararam patrimônio têm menos de R$ 100 mil em bens; 22,84% têm um patrimônio entre R$ 100 mil e R$ 500 mil; e outros 6,95% declaram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão em posses. Os deputados eleitos se enquadram entre os 6,91% da população com mais de R$ 1 milhão em bens.
Diferença de gênero
Outra discrepância está relacionada ao gênero dos deputados eleitos. Considerando os 130 candidatos bem sucedidos no pleito deste ano, 76,2% dos parlamentares eleitos são homens e 23,8% são mulheres.
O retrato da população mineira é diferente: segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, as 20.539.989 pessoas que vivem em Minas são divididas entre 10.524.280 de mulheres (51,2% do total) e 10.015.709 de homens (48,8% do total).
Há, portanto, uma sub-representação de 27,4 pontos percentuais da população feminina em relação à porção de parlamentares eleitas para a a bancada mineira da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Vejas as comparações entre o 'mineiro médio' e o 'deputado médio'
Escolaridade
Quanto à educação formal, 76,9% dos deputados eleitos por Minas Gerais têm ensino superior completo; 13,8% ensino superior incompleto; 7,7% ensino médio completo; e 0,8% apenas o ensino fundamental completo.
Já entre os mineiros, apenas 19,2% têm ensino superior completo, de acordo com dados divulgados neste ano na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua divulgada do IBGE. Os moradores de Minas que têm apenas o ensino médio completo são 33% das população acima de 25 anos; e 31,1% têm o ensino fundamental incompleto.
Diferença de cor e raça
Os deputados que representarão Minas em Belo Horizonte e em Brasília são bastante diferentes da população do estado quando o aspecto é cor e raça. Se 70% dos parlamentares eleitos se declaram brancos, esse recorte se limita a 41,1% da população mineira, segundo o Censo de 2022.
A subrepresentação da população negra nos parlamentos é gritante: enquanto 58,6% das pessoas que vivem em Minas se declaram pretas ou pardas, apenas 28,5% das vagas na Câmara e na Assembleia serão ocupadas por deputados e deputadas negras.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.











