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Lula dobra a aposta contra Flávio Bolsonaro e protocola no TSE autorização para abrir sigilos

Petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral prevê a divulgação de dados dos últimos oito anos, incluindo informações de familiares e empresas ligadas aos candidatos; liberação depende de Flávio Bolsonaro aceitar procedimento equivalente

Por e , Brasília
Flávio Bolsonaro e Lula, candidatos à Presidência da República
Flávio Bolsonaro e Lula, candidatos à Presidência da República • Anderson Romao/AGIF via AFP e Isabella Finholdt / NurPhoto via AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dobrou a aposta contra Flávio Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (20) ao protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de familiares, referentes aos últimos oito anos. A medida está condicionada à adesão do adversário - ou seja, Flávio precisa fazer o mesmo.

A iniciativa foi anunciada pela campanha do presidente, que reforlou o desafio lançado por Lula durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), e reiterado na segunda (19), durante entrevista coletiva em Porto Alegre. No documento encaminhado ao TSE, o presidente autoriza a divulgação das informações desde que Flávio Bolsonaro adote o mesmo procedimento em relação a si próprio e a familiares.

Durante a coletiva, o secretário de comunicação Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, defendeu a iniciativa como uma demonstração de transparência e afirmou que Lula não teme a divulgação das informações.

“Quem não deve não teme, quem não tem o que esconder, porque chegou a hora de mostrar a verdade para o povo”, declarou.

 

A petição também menciona empresas das quais Flávio Bolsonaro seria sócio e uma empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Sobre essa última, o documento afirma, com base em informações atribuídas a apurações da imprensa, que o candidato figuraria como usuário master de uma conta bancária vinculada à sociedade. A alegação consta no documento apresentado pela campanha e não representa uma conclusão judicial.

A campanha de Lula sustenta que a divulgação deve permitir que os eleitores tenham acesso às informações antes da votação de domingo (25). O pedido, porém, não equivale a uma decisão do TSE que determine a quebra dos sigilos. O processo registra a apresentação da petição, sem pedido de liminar ou antecipação de tutela.

O que diz o pedido

A autorização abrange os dados de Lula, de familiares e de empresas enquadradas nos critérios descritos na petição. No caso do presidente, o documento identifica a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual ele é sócio, mas não administrador.

A campanha afirma que a divulgação depende de Flávio Bolsonaro aceitar abrir os próprios sigilos e os de familiares. Os documentos apresentados não demonstram que os dados tenham sido efetivamente divulgados nem registram uma decisão do tribunal sobre o mérito do pedido.

A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre esse novo pedido.

O que pesa contra Flávio Bolsonaro?

O senador Flávio Bolsonaro (PL) é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem suspeitas de irregularidades financeiras. Um deles apura a negociação de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo documentos analisados pela Polícia Federal, Flávio atuou diretamente nas tratativas com Vorcaro para um patrocínio de R$ 134 milhões para o filme. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

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Em outra frente, a Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas ligadas a ele e Flávio Bolsonaro. E-mails encontrados pelos investigadores indicam que o senador figurava como “usuário master” de uma conta bancária da offshore Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo a PF, o perfil poderia permitir acesso e gerenciamento da conta. O caso também envolve suspeitas relacionadas ao uso de empresas e casas de apostas em um possível esquema financeiro.

Flávio nega irregularidades. No caso da conta da Alcazar, sua assessoria afirmou que ele nunca manteve conta bancária com Willer Tomaz na condição descrita pelos investigadores. As apurações estão em andamento, e não há condenação do senador nos casos mencionados.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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Jornalista pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pós-graduanda em política e relações internacionais na FAAP, atua na cobertura de Congresso Nacional e Judiciário na Itatiaia em Brasília. Ilustradora, também faz reportagens especiais de jornalismo em quadrinhos. Com passagens por CNN Brasil, SBT News, SBT Brasil e Correio Braziliense.

 

 

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