Gabriel cita operação da PF na PBH e ataca: 'Entregou Educação por tempo de TV
Sabatinado no MG1, candidato do MDB usou investigação sobre contratos da Educação para defender disputa sem alianças e afirmou ter recusado ser vice de rivais

O candidato ao Governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo (MDB), criticou durante sabatina da TV Globo a prática de partidos negociarem cargos públicos por apoio de campanha, ao comentar a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (17) contra fraudes na Prefeitura de Belo Horizonte.
A ação da PF investiga suspeitas de fraudes e direcionamento em contratos de mais de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação. Ao abordar a notícia, Gabriel relacionou o caso às composições partidárias fechadas na eleição municipal de 2024.
"É bom recordar: o ex-prefeito, para ser eleito, resolveu negociar com o União Brasil uma federação, entregou a Secretaria de Educação para ter tempo de televisão. Resultado, e eu disse isso quando eu era vereador: a polícia vai bater na porta", afirmou.
A operação e o contexto
O acordo político citado por Gabriel remete à campanha de reeleição de Fuad Noman (PSD) em 2024. Na ocasião, para assegurar o maior tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão, o Executivo municipal formalizou coligação com o União Brasil e o Progressistas (PP). O União Brasil se tornou o principal financiador da campanha de Fuad e indicou o candidato a vice-prefeito, o jornalista e então vereador Álvaro Damião.
Como parte da composição política, o ex-secretário de Educação de Salvador Bruno Barral, apadrinhado pela cúpula do União Brasil, foi nomeado em abril de 2024 para chefiar a Secretaria de Educação de Belo Horizonte.
À época, como presidente da Câmara Municipal, Gabriel fez sucessivos discursos na tribuna criticando a cessão da pasta em troca de apoio eleitoral e alertando que o caso terminaria em investigações policiais.
Barral permaneceu no comando da pasta até abril de 2025, quando foi exonerado após se tornar alvo da 3ª fase da Operação Overclean, investigação da PF sobre desvios em contratações públicas que tem como um dos alvos o empresário Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo".
Fuad Noman morreu em março de 2025, em decorrência de complicações de um linfoma, momento em que o vice Álvaro Damião assumiu em definitivo o comando da prefeitura.
A recusa a alianças
Segundo Gabriel Azevedo é esse tipo de negociação que ele quis evitar ao decidir disputar a eleição sem coligações formais. Ele revelou ter recusado convites para compor chapa como vice tanto do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) quanto do governador Mateus Simões (PSD), ambos concorrentes ao mesmo cargo.
"O que prejudica um candidato a governador é não ter plano de governo", disse, ao explicar que preferiu dedicar o último ano à elaboração de propostas em vez de articular alianças partidárias.
Sobre a forma como pretende se relacionar com a Assembleia Legislativa caso eleito, afirmou não fazer distinção ideológica na hora de dialogar. "Não olho se o político é de esquerda ou de direita. Quem quer brigar são os outros, não eu."
O cenário eleitoral em Minas Gerais
Minas Gerais elege em outubro governador, dois senadores, 53 deputados federais e 77 deputados estaduais. O estado tem 16.377.659 eleitores, o segundo maior colégio eleitoral do país.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, Cleitinho Azevedo lidera com 37% das intenções de voto, seguido por Patrus Ananias e Alexandre Kalil, com 13% e 11%. Gabriel Azevedo aparece com 4%.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 10 de setembro, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número MG-01611/2026.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



