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'Favela precisa ser enfrentada': Renan Santos destrincha plano para acabar com as favelas

Candidato do Missão traça estratégia de reassentamento e reforma urbanística

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Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos
Candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos • Itatiaia

Renan Santos afirmou que as favelas configuram um "problema urbanístico, estrutural e cultural" no Brasil, e que, em países sérios, esse problema já não existe mais. As declarações foram feitas durante uma entrevista à GloboNews na tarde desta quarta-feira (5).

O último Censo do IBGE em 2022 aferiu que existem mais de 12 mil favelas espalhadas por 656 municípios, que abrigam cerca de 16 milhões de brasileiros (8,1% da população total). Foi com base nesses dados que Natuza Nery, jornalista da GloboNews, questionou Renan a respeito de uma promessa de campanha: transformar as 12 mil favelas em bairros dentro de 10 anos. Renan respondeu que primeiramente, o assunto deve ser tratado sim como um problema, não como expressão cultural brasileira.

“Viver em uma favela é indigno. Uma pessoa que vive hoje em uma favela não é titular de direitos. Há uma presença endêmica do crime organizado”, foram algumas das declarações que justificam o desejo de Renan em acabar com as favelas. Adentrando na promessa de campanha, Renan explica que, em áreas planas, as casas passarão por reformas, o projeto urbano será redesenhado com vias de acesso mais eficazes (linhas de metrô, vias expressas) e o saneamento será restabelecido para que o morador tenha dignidade no novo bairro. Já em declives e morros, o morador receberá um título de propriedade e será reassentado em um novo bairro.

Quem é Renan Santos?

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do partido Missão, Renan Antônio Ferreira dos Santos vive sua estreia nas urnas, mesmo atuando há 12 anos nos bastidores da política com o MBL. O candidato de 42 anos atrai eleitores mais jovens com um discurso voltado à direita, mas contrário ao campo bolsonarista.

Sua carreira política começou em meio aos protestos das “Jornadas de Junho” em 2013, que começaram como um movimento contrário ao aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus e metrô de São Paulo. Logo os protestos cresceram e trocaram de pauta, revelando um sentimento de revolta contra escândalos de corrupção, gastos desproporcionais para a Copa do Mundo de 2014 e a administração de Dilma Rousseff (PT), então presidente na época. Motivado pelo sentimento antipetista que crescia na população, Renan fundou o MBL em 2014 junto ao deputado federal Kim Kataguiri (Missão).

Depois do impeachment de Dilma, as figuras centrais do movimento ganharam destaque no cenário da direita conservadora, defendendo pautas como defesa da propriedade privada, menor participação do Estado na economia, austeridade nas contas públicas, entre outras. Durante esse tempo, Renan nunca se filiou a nenhum partido político, mas passou a gerir o movimento e moldar a linguagem digital autêntica que o fez alcançar hoje os mais de 1,3 milhão de inscritos no Youtube e mais de 900 mil seguidores no Instagram.

Discordâncias tanto com partidos do chamado “centrão” quanto com Jair Bolsonaro e seus filhos depois das eleições de 2022 fizeram com que Renan mobilizasse seus apoiadores em prol de uma terceira via forte no cenário nacional. Assim nasceu o Partido Missão, viabilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025. A legenda agora abriga os apoiadores do movimento em uma instituição que prega o afastamento do pragmatismo político, mas ainda com pensamentos neoliberais presentes em seu estatuto.

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Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.

 

 

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