Cury acusa Meta de possível boicote e relaciona queda nas pesquisas à entrega nas redes
Candidato atribuiu a um possível boicote a queda na entrega de seus posts e citou danos emocionais causados pelos algoritmos das redes sociais

Candidato à presidência da República, Augusto Cury (Avante) comentou sobre sua recente queda nas pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições e citou a Meta, empresa que controla o Facebook e o Instagram, como um dos motivos. Ele ainda aproveitou para tecer críticas ao modelo de negócios das chamadas “big techs”, que utilizam algoritmos considerados viciantes. As declarações foram feitas durante entrevista concedida ao Jornal da Record neste sábado (19).
A primeira pergunta da jornalista Mariana Godoy citou um pedido de Cury por uma auditoria nos números de visualizações e interações em seus posts durante o mês de setembro. Ele alega que o engajamento caiu de forma significativa em comparação com os números conquistados em agosto e que sua queda nas pesquisas tem muito a ver com isso. Ele disse: “Chamei a imprensa nacional e mundial para fazer uma auditoria independente, porque caiu drasticamente a entrega. Houve algo dramático. Eu quero saber se não estão querendo sabotar a candidatura de Augusto Cury”.
Na sequência, o outro entrevistador, Eduardo Ribeiro, questionou se não haveria outro motivo além deste possível boicote que explicaria sua queda abrupta nas pesquisas. Cury argumentou que denunciou uma série de problemas muito graves e, por isso, vem sofrendo essa queda na entrega de seus conteúdos de campanha. Entre esses problemas graves, citou o aumento no número de casos de automutilação entre os jovens e o déficit cognitivo que as gerações mais novas estão sofrendo por conta do uso excessivo das redes sociais. “É a primeira geração que tem déficit cognitivo em relação aos seus pais”, afirmou.
O psiquiatra alertou para os perigos dos algoritmos das redes sociais e os associou à dependência que os jovens sentem hoje em relação aos celulares. “Nós devemos retardar ao máximo o uso de celulares depois dos dez anos de idade, com destaque às redes sociais”, disse ele após comentar sobre a “síndrome comparativa” que aplicativos como o Instagram geram em adolescentes e adultos. Segundo Cury, a disfunção de hormônios como dopamina e serotonina, processo que ocorre durante o vício em redes sociais, pode afetar a capacidade de desenvolver habilidades socioemocionais, como lidar com perdas e frustrações, gerenciar o estresse e desenvolver o sentimento de empatia pelo próximo.
Quem é Augusto Cury?
Augusto Jorge Cury tem 67 anos, é médico, psiquiatra e professor, mas ganhou notoriedade nacional por conta de seu trabalho como escritor. Ele já vendeu mais de 40 milhões de cópias em livros na categoria saúde mental e autoajuda. Nas eleições deste ano, Cury se apresenta como uma alternativa à polarização política que o Brasil vive desde a última década.
O candidato do Avante já alcançou os 11% de intenções de voto em uma pesquisa divulgada pela BTG/Nexus no fim de agosto. Já na semana passada, um novo levantamento apontou que Cury recuou e agora tem 6% dos votos, disputando o terceiro lugar com outros candidatos.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



