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Esperança de amplo arco de alianças se transforma em campanha desidratada para PSD e Simões

Apontado como sucessor de Romeu Zema (Novo), Simões chega ao páreo sem os aliados que esperava ter

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Mateus Simões (PSD) em evento de posse do novo presidente da Cemig
Mateus Simões (PSD) em evento de posse do novo presidente da Cemig • Karoline Barreto/Imprensa MG

Há pouco mais de nove meses, o então vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciava seu desembarque do Novo e a chegada ao PSD. A mudança de legenda foi um movimento para fortalecer a candidatura à reeleição ao Governo de Minas neste ano unindo a força pessedista com um grande arco de partidos. Agora, às vésperas do início da campanha, o atual governador mineiro chega para o páreo sem os aliados que esperava ter nesta jornada.

Simões tomou posse como governador em março, quando Romeu Zema (Novo), deixou o posto para se concentrar na pré-campanha à Presidência da República. De lá para cá, o PSD foi vendo potenciais aliados se afastarem da campanha do incumbente em Minas. 

Ao contrário do esperado no momento de filiação de Simões, a campanha deve ocorrer sem a presença dos maiores partidos da direita e centro-direita no país: União Brasil. PP, Republicanos e PL.

A esperança de união

Em 27 de outubro de 2025, no evento de filiação ao PSD, Gilberto Kassab, fundador e presidente nacional da legenda, deu destaque à presença de nomes de diversos partidos no evento realizado em Belo Horizonte. O destaque especial foi dado ao então secretário de Governo, Marcelo Aro (PP).

"Quero saudar aqui todos os nossos colegas, amigos, amigas que nos visitam dos outros partidos e que são de fundamental importância nessa jornada que hoje se inicia, saudando o Marcelo Aro. Saudando você, Marcelo, sua capacidade, sua inteligência, sua aliança estratégica com o nosso governador Zema. Eu queria saudar aqui todos aqueles outros partidos que nos visitam", disse Kassab em discurso.

O cenário daquele momento incluía Aro como pré-candidato ao Senado na chapa de Simões, o que incluiria a federação formada por PP e União Brasil em sua coligação. Esse movimento renderia à campanha de Simões a adição das legendas com maior tempo horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

"Nós estamos falando de uma união de partidos. PSD e Novo, PP e União, Podemos e Solidariedade, Mobiliza, PRD e DC, já juntos num projeto. Nós sabemos que, juntos por Minas, nós podemos continuar e aprofundar o que o governo de Zema tem feito. E é óbvio que coroa tudo isso é o equilíbrio do PSD. Esses são os valores que vão guiar essa caminhada ao longo dos próximos 12 meses e eu espero ao longo dos 4 anos que vão se seguir a esses 12 meses", disse Simões em pronunciamento durante o evento de filiação.

O tão cobiçado ‘tempo de TV’ era citado sem restrições por quem participou das boas-vindas de Simões ao PSD. O próprio Marcelo Aro falou sobre o tema em entrevista à Itatiaia na ocasião, quando citou também a ideia de amealhar o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira, do PL (segundo maior em tempo de propaganda gratuita) e o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos (que também acrescentaria segundos preciosos à campanha na televisão e no rádio). 

"Todo mundo sabe que é o nosso desejo que sempre foi e continua sendo termos uma união do centro e da direita em Minas Gerais. E essa união ela passa por três nomes, na minha opinião, Mateus Simões, Nikolas Ferreira e Cleitinho. Então, nós temos o desejo de juntar essas três lideranças no mesmo palanque. Da nossa parte, o convite está posto à mesa. Nós gostaríamos muito de ter tanto o Nikolas quanto o Cleitinho no nosso palanque. E hoje aqui eu acho que nós demos uma demonstração que o grupo está coeso. Nós temos um grupo grande. Mateus Simões aqui, ele nessa largada, ele já larga com partidos importantíssimos que dão para ele quase metade do tempo de televisão", disse Marcelo Aro em entrevista após o evento.

A debandada

Aro, tratado como nome central para a grande aliança em torno de Simões, se afastou da campanha assim que o partido de Kassab apontou o nome do senador Carlos Viana (PSD) como candidato à reeleição. A medida diminuiu a margem de manobra para que Aro concorresse ao Senado e a campanha ainda acomodasse outra legenda com aspirações à Casa Alta do Congresso. 

Se efetivada a saída de Aro, saem do entorno de Simões PP e União Brasil. O movimento ainda não é definitivo, já que o cenário de alianças para as eleições mineiras só deve se resolver no limite do prazo para informar as chapas à Justiça Eleitoral, em 15 de agosto. 

Já o PL é carta definitivamente fora do baralho do PSD. O apoio de Simões à candidatura de Zema ao Palácio do Planalto foi tratado como impeditivo, já que o partido considera imprescindível o embarque na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O PL considera lançar um candidato próprio ao Governo de Minas, mas o interesse maior é em apoiar uma eventual candidatura de Cleitinho Azevedo, o que implica em uma aliança com  Republicanos. Essa união teria como candidato ao Senado apenas Domingos Sávio (PL), o que deixa margem ainda para que Aro chegue no time carregando União Brasil e PP. Neste contexto, a aliança dos sonhos do PSD viraria um adversário na campanha.

Por ora, a mais importante aliança confirmada em torno do atual governador é com o partido Novo, que deve indicar o vice de Simões na campanha. A legenda de Zema, no entanto, é nula no quesito de tempo de propaganda eleitoral gratuita.

Procurado pela reportagem, o governador de Minas Gerais afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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