Eleições 2026: 'Proteção' da PF leva partidos a anteciparem convenções
Homologação das candidaturas passou a influenciar as datas dos eventos, já que a proteção da Polícia Federal só é disponibilizada após a oficialização dos nomes

A operação de segurança montada pela Polícia Federal (PF) para as eleições de 2026 começou a influenciar o calendário das convenções partidárias que oficializam as candidaturas à Presidência da República. Isso porque a proteção da corporação só passa a ser disponibilizada após a homologação dos candidatos pelas legendas, levando partidos a reverem a data dos eventos.
Desde o início desta semana, a PF iniciou o esquema de proteção para os presidenciáveis que tiverem suas candidaturas oficializadas e solicitarem o serviço. A operação envolve mais de 600 policiais treinados, dos quais até 458 poderão atuar diretamente durante a campanha. O planejamento inclui o uso de viaturas blindadas, sistemas antidrones, coletes balísticos, monitoramento de ameaças e varreduras antibomba. O custo estimado da operação é de R$ 95 milhões.
O impacto já pode ser percebido entre alguns pré-candidatos. O empresário Renan Santos, do partido Missão, decidiu antecipar a convenção nacional da legenda após relatar ameaças atribuídas a integrantes das facções criminosas PCC e Comando Vermelho. Com a candidatura oficializada mais cedo, ele poderá solicitar imediatamente a proteção da Polícia Federal.
Outros presidenciáveis, como os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), também informaram que vão pedir formalmente a segurança da PF assim que suas candidaturas forem confirmadas nas convenções partidárias. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a segurança coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com apoio da Polícia Federal, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) continuará contando com a estrutura da Polícia Legislativa, segundo informações das respectivas campanhas.
As convenções partidárias ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, conforme o calendário eleitoral. É nesse período que partidos e federações oficializam seus candidatos aos cargos em disputa e definem eventuais coligações. A partir da homologação, os presidenciáveis passam a ter direito ao esquema especial de segurança oferecido pelo Estado, mediante solicitação e avaliação de risco realizada pela Polícia Federal.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



