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Derrotado, Ciro ataca Toffoli e contesta resultado no Ceará: 'Abram o olho'

O tucano alegou que sua equipe jurídica irá à Justiça para fazer uma reclamação formal sobre o resultado do último domingo (4), que deu vitória a Elmano de Freitas, atual governador do estado

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Renato Pizzutto/Band.

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), candidato derrotado na eleição para o governo do Ceará, usou as redes sociais para questionar o resultado que deu a vitória a Elmano de Freitas (PT), atual governador do estado. Nesta terça-feira (6), ele escreveu que “não cumprimentou” o adversário vitorioso porque ele “não ganhou”. “Ele [Elmano] e sua organização criminosa tomaram as eleições”, afirmou, sem apresentar provas.

A disputa, que terminou em primeiro turno, deu 53,1% dos votos ao petista, contra 42,2% do tucano.

No texto divulgado, Ciro agradeceu os quase 2,5 milhões de votos, mas afirmou que a quantidade não foi suficiente para derrotar o que chamou de “a mais poderosa e desonesta máquina de corrupção, fraude e manipulação judicial da história do Ceará”. “Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, escreveu.

O tucano alegou que sua equipe jurídica irá à Justiça para fazer uma reclamação formal sobre o resultado do último domingo (4), apesar de dizer “não acreditar nela neste país apodrecido”.

Ciro criticou ainda diretamente uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que autorizou propagandas eleitorais de Elmano, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no rádio e na televisão no dia anterior ao primeiro turno. “Quantos cearenses aderiram ao PT por causa desta inédita bateria de propaganda? (Eram até três comerciais por intervalo)”, questionou.

“Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A República brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram no domingo”, finalizou o ex-ministro.

A campanha de Elmano conseguiu no STF uma autorização para veicular propaganda eleitoral durante o sábado (3), antes do pleito. A medida buscou compensar o tempo que deixou de ser exibido no horário eleitoral gratuito e foi contestada pela campanha de Ciro.

A campanha do atual governador do estado afirmou que emissoras de TV e rádio não teriam cumprido o acréscimo. Os veículos apontaram falta de parâmetros claros do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Toffoli rejeitou a justificativa e determinou a compensação nas 48 horas anteriores à votação, sob pena de multa de R$ 100 mil por emissora que descumprisse a ordem.

Junção com o PL e contra-ataque do PT

Após longos anos no PDT, Ciro Gomes se desfiliou do partido em outubro de 2025. O ex-ministro então migrou para o PSDB no mesmo mês, com o objetivo de disputar o governo do estado.

O então tucano, desde antes, vinha construindo uma aliança com antigos adversários. Ciro se aproximou da oposição a Elmano no Ceará a fim de formar uma frente ampla, juntando-se a legendas como o Partido Liberal (PL), liderado no estado pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE).

A aliança gerou até mesmo uma briga dentro da família Bolsonaro, sendo o estopim de um atrito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que discordava da aproximação, e os enteados Eduardo (PL-SP), Carlos (PL-SC) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Se, de um lado, Ciro se juntava a lideranças bolsonaristas, seu adversário, Elmano, apostou em nomes populares no Ceará em uma espécie de força-tarefa. Além do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), o governador reeleito contou com a ajuda de Cid Gomes (PSB), irmão e desafeto político de Ciro desde 2022, e Luizianne Lins (Rede) — ambos eleitos para as duas cadeiras ao Senado.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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