Conheça a carreira política de Tarcísio de Freitas, pré-candidato ao governo de SP
Apontado como um dos herdeiros políticos de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas decidiu permanecer em São Paulo e disputar um segundo mandato à frente do maior colégio eleitoral do país

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve disputar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2026. Pesquisas recentes o colocam à frente dos principais adversários na corrida estadual, entre eles o ex-prefeito da capital e ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Em maio deste ano, Tarcísio confirmou a chapa para a reeleição. Ele concorrerá ao lado do atual vice-governador Felício Ramuth (MDB), a mesma chapa que venceu em 2022.
Engenheiro militar e ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio assumiu o comando do estado em janeiro de 2023, após derrotar Haddad no segundo turno das eleições de 2022. A vitória encerrou quase três décadas de governos do PSDB em São Paulo, iniciadas em 1995.
Caso confirme a candidatura e seja reeleito, cumprirá seu segundo mandato consecutivo à frente do estado mais populoso do país.

Carioca, Tarcísio passou 17 anos no Exército Brasileiro, onde se formou engenheiro pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, a mesma frequentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Participou da missão de paz da ONU no Haiti e completou a formação com um MBA pela FGV.
Em 2008, com a patente de capitão, deixou o serviço militar ativo e ingressou na Controladoria-Geral da União (CGU), onde atuou na área de auditoria e fiscalização de obras de infraestrutura.
Tarcisio atravessou governos de campos políticos opostos
Foi durante o governo Dilma Rousseff que ascendeu ao primeiro escalão, assumindo a direção-executiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Permaneceu no cargo durante o governo Michel Temer e migrou depois para a Secretaria de Parcerias de Investimentos, responsável pelo programa federal de concessões e privatizações.
Em novembro de 2018, Bolsonaro o convidou para o Ministério da Infraestrutura. Tarcísio nunca tinha se filiado a partido nem disputado uma eleição. No ministério, se tornou um dos membros mais elogiados do governo.
Já no fim do governo Bolsonaro, Tarcísio foi escolhido pelo então presidente para disputar o Governo de São Paulo nas eleições de 2022. Ele aceitou, estreou nas urnas e venceu Fernando Haddad (PT) no segundo turno, com mais de 13 milhões de votos.

O que defende para o segundo mandato
Em entrevistas recentes, Tarcísio traçou o que pretende para um possível segundo mandato em São Paulo e para o país. No estado, a prioridade é o legado de obras. O Trem Intercidades Campinas–São Paulo está em andamento, o Santos–São Paulo e o Sorocaba–São Paulo estão sendo projetados.
O Centro Administrativo da capital, uma das promessas de campanha, entrou em fase de leilão, com previsão de entrega para 2030. São dez torres na região central, que vão concentrar servidores hoje espalhados em 40 prédios diferentes.
Em habitações, segundo o governador, o estado entregou cerca de 52 mil unidades habitacionais de interesse social nos dois primeiros anos de gestão e possui outras 97 mil em construção.
Na segurança pública, defende o endurecimento da legislação como condição para avançar. Critica o que chama de "impunidade institucionalizada", as audiências de custódia que soltam reincidentes, penas cumpridas em liberdade e falta de integração de dados entre polícias e órgãos financeiros.
Defende a redução da maioridade penal, o fim de benefícios para membros de facções criminosas e a integração do COAF com a Receita Federal e as polícias estaduais para combater o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro.
Tarcísio comemora o melhor resultado histórico do estado em matemática no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) e planeja expandir o programa de intercâmbio internacional para alunos da rede pública que, segundo ele, já são mil alunos por semestre. Aponta também a formação contínua de professores e o reforço escolar individualizado como ferramentas para reduzir a defasagem de aprendizado.
Em âmbito nacional, Tarcísio coloca as reformas administrativa e orçamentária como condição para o país crescer, e critica o governo Lula por ceder a "chantagens de grupos criminosos" e por vetar avanços na legislação penal.
A escolha por São Paulo
O resultado de seu Governo o transformou instantaneamente em um dos nomes mais cotados da direita para a Presidência da República em 2026, especialmente após Bolsonaro ser declarado inelegível pela Justiça Eleitoral. Por meses, o nome de Tarcísio dominou especulações e pesquisas de intenção de voto para o Planalto.
A decisão, no entanto, veio em sentido contrário. "Qual é a minha opção, qual é o meu caminho em 2026? É continuar em São Paulo", declarou em entrevista. "Eu sou muito fiel àqueles que me elegeram. Nós temos projetos muito interessantes para entregar em 2028, em 2029, em 2030. O que me motiva a ficar em São Paulo é a entrega desses projetos."
Mesmo optando pela reeleição estadual, Tarcísio não abriu mão do papel nacional. Reitera que Bolsonaro continua sendo a principal liderança da direita no país e garantiu que trabalhará para que São Paulo entregue o máximo para o candidato que representar o campo da centro-direita na disputa presidencial.


