Conheça a carreira política de Ricardo Salles, pré-candidato ao Senado de São Paulo
Pré-candidato ao Senado se coloca como crítico do centrão e diz representar a "verdadeira direita" paulista

Ricardo Salles (Novo), advogado e deputado federal por São Paulo, é pré-candidato ao Senado pelo estado nas eleições de 2026. Um dos nomes mais identificados com a direita conservadora no estado, ele busca uma vaga na Casa Alta defendendo pautas liberais na economia, redução do tamanho do Estado e críticas ao chamado "centrão".
Se apresenta como o único nome "verdadeiramente de direita" entre os pré-candidatos paulistas, ao lado do deputado Guilherme Derrite. "São os dois únicos nomes", uma crítica direta a André do Prado (PL), que classificou como "centrão na veia".
Vindo de uma família de advogados, Salles seguiu os passos dos parentes e se formou em Direito pelo Mackenzie, com pós-graduação em Coimbra e Lisboa e especialização em administração pela FGV. Antes da política, trabalhou como produtor de café e foi por 23 anos conselheiro da Sociedade Rural Brasileira, entre 1996 e 2019.
Foi pelo governo de São Paulo que se inseriu na política do Brasil, sendo secretário particular do governador Geraldo Alckmin entre 2013 e 2014, e Secretário do Meio Ambiente do estado entre 2016 e 2017, também por indicação de Alckmin. Antes disso, em 2006, fundou o Movimento Endireita Brasil, organização ligada à chamada nova direita.
Pelo grupo, chegou a coassinar, em 2012, um pedido de impeachment do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que não prosperou. Na gestão estadual do Meio Ambiente, foi denunciado pelo Ministério Público por fraude em um processo de manejo ambiental na várzea do rio Tietê para favorecer empresas. Chegou a ser condenado em primeira instância, mas foi absolvido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em segunda instância.
O nome ganhou projeção nacional quando foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o Ministério do Meio Ambiente, cargo que ocupou de 2019 a 2021. A gestão foi marcada por fortes críticas de organizações ambientais, pesquisadores e entidades internacionais, que acusavam o governo de enfraquecer a política ambiental brasileira.
Em dezembro de 2019, durante a COP 25 em Madrid, o Brasil recebeu o prêmio "Fóssil do Ano" por políticas consideradas desfavoráveis ao meio ambiente. Salles ainda ironizou as críticas nas redes sociais, publicando a foto de um churrasco com a legenda "para compensar nossas emissões na COP, um almoço veggie".
Uma das medidas mais criticadas de sua gestão foi a revogação de resoluções do Conama que protegiam restingas e manguezais e proibiam empreendimentos em áreas de preservação. Deixou o ministério em 2021, alvo de operação da Polícia Federal que investigava exportação ilegal de madeira.
Salles sai do PL e filia-se ao Novo
Nas eleições de 2022, foi eleito o quarto deputado federal mais votado de São Paulo. Dois anos depois, tentou a Prefeitura de São Paulo pelo PL e, segundo ele, chegou a 18,5% nas pesquisas, próximo do então prefeito Ricardo Nunes, mas o partido optou por apoiar Nunes.
Insatisfeito com o comando de Valdemar Costa Neto no PL, migrou para o Partido Novo, onde atualmente se lança ao Senado. Salles passou a criticar a aproximação do partido com setores que considera integrantes do "centrão" e defende que a direita deveria manter maior independência em relação às práticas tradicionais da política brasileira.
Salles define sua oposição ao "centrão" como o eixo de sua trajetória recente, não ao bolsonarismo. "Eu não tenho nenhuma ruptura com o Bolsonaro nem com o bolsonarismo, o que eu não concordo é essa adesão à postura do centrão."
Criticou nominalmente o PL de Valdemar Costa Neto, citando escândalos como o do Banco Master e das bets, e definiu o Partido Novo como alternativa. Salles apresenta o partido como uma alternativa aos tradicionais, defendendo bandeiras como combate à corrupção, privatizações, redução do tamanho do Estado e diminuição da carga tributária.
Sobre a disputa interna que resultou em sua candidatura, relatou que negociou diretamente com o entorno bolsonarista após a inviabilização de Eduardo Bolsonaro. “Eu serei candidato ao Senado, não abro mão, é o meu Estado." E rebateu a ideia de que sua candidatura dividiria o voto de direita, já que, em sua visão, quem divide a direita é a própria chapa bolsonarista ao lançar um candidato que não é de direita, em referência a André do Prado.
Ao comentar o caso envolvendo o Banco Master e a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), Ricardo Salles avaliou que o episódio trouxe desgaste à pré-candidatura presidencial do parlamentar. Apesar disso, afirmou que, em uma eventual disputa contra o presidente Lula, considera que uma candidatura de Flávio Bolsonaro teria uma equipe econômica mais qualificada do que a do atual governo.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



