Itatiaia

Conheça a carreira política de Kiko Caputo, pré-candidato ao Governo do DF

Ex-presidente da OAB-DF estreia em uma disputa eleitoral pelo Partido Novo, com discurso voltado à gestão pública, à transparência e ao combate à corrupção

Por
kiko-caputo-pre-candidato-governo-distrito-federal
Advogado há mais de três décadas e ex-presidente da OAB-DF disputa pela primeira vez um cargo eletivo • Reprodução/Redes Sociais

Kiko Caputo (Novo) é pré-candidato ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Sem experiência anterior em cargos eletivos, ele apresenta a atuação na advocacia e em instituições jurídicas como credenciais para disputar o Palácio do Buriti.

A decisão de disputar o governo foi anunciada no início de 2026. Caputo afirma que resolveu deixar a posição de observador e transformar a insatisfação com a administração do Distrito Federal em participação política. Declara que não se considera um político tradicional e que decidiu se apresentar como uma alternativa aos grupos que comandaram o Palácio do Buriti nos últimos anos.

Em março, anunciou que se filiaria ao Partido Novo. A legenda passou a apresentar seu nome como uma candidatura de centro-direita voltada à renovação, à eficiência administrativa e à redução da influência política sobre os órgãos públicos.

A pré-candidatura foi lançada oficialmente em abril, durante um evento em Brasília que contou com a participação do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República.

Caputo defende Zema e apresenta sua administração em Minas Gerais como referência de equilíbrio fiscal, redução de despesas e relacionamento institucional. As avaliações positivas sobre o governo mineiro representam o posicionamento político do pré-candidato.

Natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, o pré-candidato foi para Brasília aos três anos de idade, quando o pai, que era juiz, foi transferido para a capital federal. Durante a infância e a juventude, estudou em escola pública e utilizou os serviços públicos de saúde do Distrito Federal. 

Caputo é formado em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, o UniDF, e possui pós-graduação em Direito do Trabalho. Exerce a advocacia desde 1994, com atuação principalmente na área empresarial e na resolução de disputas.

Antes de ingressar na política partidária, Kiko construiu a carreira profissional na advocacia privada. Ele integra o escritório Caputo, Bastos e Serra Advogados e ocupou funções em entidades ligadas ao setor jurídico e empresarial. Entre 2007 e 2010, foi diretor regional do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados e também atuou como assessor legislativo do Conselho Nacional da Confederação Nacional da Indústria.

Desde 2006, Caputo participa do Conselho Curador da Fundação Assis Chateaubriand. Também recebeu reconhecimentos de publicações especializadas pela atuação como advogado em Brasília.

Em 2009, o pré-candidato foi eleito presidente da seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Exerceu a função durante o triênio de 2010 a 2012. Sua posse ocorreu em meio à crise política provocada pela Operação Caixa de Pandora, investigação que atingiu o então governador José Roberto Arruda e integrantes da Câmara Legislativa.

À frente da entidade, Caputo participou de debates sobre ética pública, funcionamento das instituições, acesso à Justiça e defesa das prerrogativas dos advogados. 

Depois de deixar a presidência da seccional, Caputo continuou participando das estruturas da Ordem. Foi representante do Distrito Federal no Conselho Federal da OAB entre 2019 e 2026. Em fevereiro deste ano, renunciou à condição de suplente no órgão para se dedicar à candidatura ao Governo do Distrito Federal. O mandato poderia seguir até 2028.

Ao anunciar a saída, afirmou que havia exercido funções na Ordem ao longo de mais de três décadas de advocacia, como conselheiro seccional, presidente da OAB-DF e representante da capital no Conselho Federal.

Caputo também integrou o Conselho da República entre 2018 e 2021. O colegiado é um órgão de consulta do presidente da República em situações institucionais específicas, como intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. O pré-candidato ocupou uma das vagas destinadas a cidadãos escolhidos para compor o conselho.

Em 2014, recebeu da Câmara Legislativa o título de Cidadão Honorário de Brasília. A homenagem reconheceu sua atuação profissional e institucional no Distrito Federal, onde vive desde a infância e desenvolveu toda a carreira jurídica.

A eleição de 2026 será a primeira da carreira de Caputo, já que seu percurso público foi construído principalmente na representação da advocacia e em conselhos institucionais.

Bandeiras de Kiko Caputo no Distrito Federal

O combate à corrupção é o principal eixo político da pré-candidatura. Caputo argumenta que desvios, indicações políticas e falta de transparência reduzem a capacidade do governo de oferecer serviços nas áreas de saúde, mobilidade, educação e segurança.

Entre as medidas defendidas estão o fortalecimento da Controladoria-Geral do Distrito Federal, a cooperação com o Tribunal de Contas e o Ministério Público e a punição de integrantes do governo que pratiquem irregularidades, independentemente da proximidade política com o governador.

Ele também promete ampliar a transparência das contas públicas e realizar uma análise detalhada da situação financeira do Distrito Federal e do Banco de Brasília.

Caputo apresenta a saúde como a primeira prioridade de um eventual governo. A proposta inicial é estabelecer parcerias com hospitais e clínicas privadas para reduzir as filas de exames, consultas e cirurgias enquanto o governo reorganiza a rede pública e recompõe as equipes.

O pré-candidato também defende a construção de um segundo hospital em Ceilândia, de um hospital em São Sebastião e de policlínicas em regiões como Braslândia, Estrutural e Sol Nascente.

No Guará, propõe ampliar o projeto hospitalar existente para criar uma unidade geral, com mais especialidades, exames e capacidade cirúrgica. As propostas foram apresentadas pelo próprio pré-candidato e ainda precisam ser acompanhadas de cronogramas e estimativas orçamentárias.

Na mobilidade, Kiko defende ampliar o transporte ferroviário e reduzir a dependência dos automóveis e ônibus, como a expansão do metrô até a Asa Norte, a implantação de um veículo leve sobre trilhos na W3 e a utilização da ferrovia existente para transportar passageiros entre o Entorno e a área central de Brasília.

A regularização fundiária também aparece entre as prioridades. Caputo defende entregar títulos às famílias que vivem em áreas consolidadas e adquiriram seus imóveis de boa-fé. Paralelamente, propõe intensificar o monitoramento por satélite e a fiscalização para impedir novas invasões e a comercialização ilegal de terras públicas.

O pré-candidato afirma que o crescimento desordenado prejudicou a mobilidade, a prestação dos serviços públicos e o planejamento urbano do Distrito Federal. 

Na educação, Kiko propõe reformar as escolas, ampliar o número de professores e expandir o ensino em tempo integral. Ele defende que os estudantes tenham mais acesso a esportes, cultura, idiomas e formação profissional, especialmente durante o ensino médio.

A proposta está ligada à preocupação com o desemprego entre os jovens das regiões mais afastadas do Plano Piloto. Segundo o pré-candidato, a educação profissionalizante deve aproximar os estudantes das oportunidades reais de trabalho.

Para reduzir atrasos e paralisações, Caputo propõe exigir seguro para obras públicas de maior valor. De acordo com a proposta, a seguradora seria responsável por analisar a viabilidade da empresa contratada e acompanhar o cumprimento dos prazos, do orçamento e dos padrões de qualidade.

Caso a construtora abandonasse o projeto ou descumprisse o contrato, caberia à seguradora assumir as consequências financeiras e garantir a conclusão.

Por

Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

Belo Horizonte