Conheça a carreira política de Araceli Lemos, pré-candidata ao Governo do Pará
Araceli é professora, ex-deputada estadual e presidente do PSOL no Pará

A professora e presidente estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Araceli Lemos é pré-candidata ao Governo do Pará nas eleições de 2026. A pré-candidatura foi lançada em julho, durante um encontro partidário realizado em Castanhal, município onde Araceli iniciou parte importante de sua militância.
Será a primeira vez que o PSOL terá uma mulher como cabeça de chapa na disputa pelo governo paraense.
Nascida em Inhangapi, no nordeste do Pará, ainda na infância, mudou-se com a família para Castanhal, onde começou a participar de movimentos estudantis e políticos no final da década de 1970. É formada em História pela Universidade Federal do Pará, com especialização em Metodologia e Pesquisa Histórica na Amazônia.
Professora concursada da Secretaria de Estado de Educação, a pré-candidata trabalhou em escolas públicas de Castanhal e Belém. Também foi aprovada para lecionar no Colégio Tenente Rêgo Barros, mas deixou a instituição ao assumir o primeiro mandato parlamentar.
Antes de chegar à Assembleia Legislativa, Araceli participou da organização sindical dos trabalhadores do setor e presidiu o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, o Sintepp, entre 1996 e 1998. Integrou articulações de servidores públicos e movimentos populares ligados à moradia e aos direitos sociais.
Araceli foi eleita deputada estadual pela primeira vez em 1998, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2002, conquistou a reeleição. Permaneceu no Legislativo estadual por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006.
Na Assembleia, teve atuação voltada principalmente para educação, infância, direitos humanos, defesa das mulheres e dos trabalhadores. Também participou de debates sobre moradia e políticas sociais.
Em 2004, enquanto exercia o segundo mandato como deputada estadual, Araceli disputou a Prefeitura de Castanhal pelo PT, mas não foi eleita. Castanhal também foi escolhida para sediar o lançamento de sua pré-candidatura ao governo em 2026.
Araceli deixou o PT em meio às divergências que levaram à criação do PSOL. À nova legenda, filiou-se em 2005 e passou a ocupar funções de direção partidária no Pará. Em 2006, tentou retornar ao Legislativo como candidata a deputada federal, mas não foi eleita. Voltou a disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2010, também sem sucesso.
A pré-candidata integrou uma chapa ao Senado como candidata a primeira suplente em 2018. Desde então, permaneceu na direção partidária e na articulação dos movimentos sociais.
Araceli assumiu a presidência estadual do PSOL em 2023. À frente da legenda, defende a ampliação da presença do partido nos municípios, o fortalecimento das candidaturas proporcionais e a construção de um projeto baseado na participação popular, nos direitos sociais e na defesa da Amazônia.
Sua pré-candidatura ao governo integra a estratégia do PSOL de apresentar uma alternativa própria aos grupos que controlam o Executivo paraense.
Araceli retornou à administração pública em março de 2023, quando assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Belém durante a gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues.
Permaneceu no cargo até dezembro de 2024. Entre as ações destacadas durante sua passagem estão o Programa Alfabetiza Belém, a recuperação de escolas, a restauração de prédios históricos e a revitalização do Espaço Esportivo Cultural Cabano Maestro Altino Pimenta.
A administração municipal também recebeu do Ministério da Educação o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Os resultados são apresentados pelo PSOL como parte de sua experiência administrativa.
Pré-candidatura ao governo
Ao lançar sua pré-candidatura, Araceli diz que pretende enfrentar os grupos que, segundo ela, dominam a política estadual e construir um Pará com mais oportunidades e redução das desigualdades. Desde março, a pré-candidata coordena a caravana “De Sol a Sol, a gente te escuta”, que percorre municípios e regiões do estado para reunir demandas da população.
A agenda já passou por Belém, Bragança, Marabá, Santarém, Abaetetuba e Cametá, além de prever visitas a Breves e Altamira. As contribuições deverão ser incorporadas ao programa de governo.
A pré-candidata afirma que a participação popular será um dos pilares do projeto e que as políticas deverão considerar as diferenças entre a Região Metropolitana de Belém, o interior, as áreas rurais e os territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
A educação deverá ser uma das principais bandeiras da campanha. Araceli defende o fortalecimento da rede pública, a valorização dos professores e demais servidores, a melhoria das estruturas escolares e políticas de combate ao analfabetismo.
A experiência como professora, dirigente sindical e secretária de Educação será apresentada como sua principal credencial para formular políticas estaduais no setor.
A trajetória da pré-candidata também está ligada à defesa dos direitos das mulheres, da infância, dos trabalhadores e das populações em situação de vulnerabilidade. Pretende enfrentar as desigualdades que atingem especialmente mulheres, moradores das periferias e comunidades afastadas dos principais centros urbanos.
Como representante do PSOL, Araceli defende um modelo de desenvolvimento que associe geração de emprego, redução das desigualdades e proteção da floresta. A construção do programa inclui debates sobre economia, custo de vida, oportunidades de trabalho, bioeconomia e os efeitos dos investimentos ligados à COP30.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



