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Justiça Eleitoral de MG lança material em língua Maxakali para orientar indígenas nas eleições

Além do material gráfico que será distribuído e afixado nas seções eleitorais, equipe deu treinamento de uso das urnas

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Material em língua Maxakali para orientar indígenas durante o processo eleitoral • Matheus Miranda

Para fortalecer a participação dos indígenas nas eleições municipais de 2024, a Justiça Eleitoral de Minas Gerais lançou cartazes informativos na língua do povo Maxakali e realizou um treinamento com mais de mil indígenas, ensinando como operar a urna eletrônica e esclarecendo dúvidas sobre o processo.

Pela primeira vez, os cartazes informativos afixados nas seções eleitorais instaladas nas terras indígenas de Bertópolis e Santa Helena de Minas serão na língua Maxakali, ampliando o acesso e compreensão das normas eleitorais.

Os cartazes, de uso obrigatório em todos os locais de votação, trazem orientações sobre a proibição do uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos na cabine de votação, regras contra a boca de urna, o passo a passo do processo de votação, além de instruções sobre a seção eleitoral e informações sobre prioridade na fila e justificativas de ausência.

"Essas ações são fundamentais para superar barreiras históricas que excluem os povos indígenas da participação política. Elas não apenas promovem o acesso à informação e ao sistema eleitoral, mas também acesso efetivo ao Poder Judiciário", pontua Matheus Moura Matias Miranda, juiz de Direito e idealizador do Projeto Cidadania, Democracia e Justiça aos Povos Originários.

A intenção do programa, segundo ele, é ampliar o acesso das comunidades Maxakali à Justiça, adaptar o processo eleitoral à realidade cultural dos povos indígenas e garantir a participação efetiva dos indígenas Maxakali no processo eleitoral.

Seções eleitorais

Nas terras indígenas Pradinho, em Bertópolis, e Água Boa, em Santa Helena de Minas, onde vivem as comunidades Maxakali, foram instaladas quatro seções eleitorais, com um total de 1.032 eleitores aptos a votar.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.