'Discutir quantos gramas não é problema de juiz', diz Lula em relação à decisão do STF sobre maconha
Presidente voltou a criticar decisão da Suprema Corte que, em julgamento nessa semana descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal, em julgamento encerrado nesta semana, voltou a motivar críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira (27). Em entrevista à Itatiaia, ele comentou que não é papel de juiz "discutir quantos gramas", em referência à decisão que fixou em 40 gramas de maconha o máximo permitido para que uma pessoa seja enquadrada como usuário e não traficante de drogas.
"Nossa Suprema Corte tem papel extraordinário. [Mas] ela está tratando de muitos casos que não precisaria. Não é problema, temos uma lei aprovada em 2006, que proíbe a prisão de usuários. Desde 2006. Portanto o que nós queremos é tentar separar o que é usuário, que já está defendido por lei, e o que é traficante. Agora discutir quantas gramas não sei das contas, não é problema de advogado e juiz, é de saúde pública, de psicanalista, psiquiatra, pessoas que estudam e sabem cientificamente o que pode e não pode", opinou.
Lula disse, ainda, que ao entrar em um tema polêmico como o da descriminalização do porte de maconha para uso pessoal, o STF pode passar a correr riscos e acaba melindrando o Legislativo.
"Quando a gente fica entrando muito em temas polêmicos a gente pode correr risco. Quando planta vento pode colher tempestade. O STF poderia ter deixado para discutir no Congresso. O Legislativo fica muito machucado", completou.
'Supremo não deve se meter em tudo'
O presidente disse, ainda, ter tratado do assunto com o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, antes que a questão fosse pautada no STF.
"Eu disse para o [Luís Roberto] Barroso: ‘Por que você não convoca uma reunião da psiquiatria, de médicos para discutir esse assunto?’ Não é uma questão de código penal, é de saúde pública. O mundo inteiro está usando derivados da maconha pra fazer remédio", disse na ocasião.
Barroso comentou declaração de Lula à Itatiaia
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, voltou a defender nesta quinta-feira (27) o julgamento da Corte que culminou na descriminalização do porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal. Barroso foi questionado por jornalistas durante o 12º Fórum de Lisboa sobre a queixa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à Itatiaia de que não havia necessidade do Supremo de julgar o caso, pois a Lei de Drogas, aprovada em 2006, já seria suficiente para tratar o tema.
“Eu não sou comentarista do fato político do dia. Não sou censor do que fala o presidente e menos ainda fiscal do salão. O que eu posso dizer é que o Supremo julga as ações que chegam lá, inclusive os habeas corpus e os recursos extraordinários de pessoas que são presas, às vezes, com pequenas quantidades de droga. Nós somos obrigados a sermos capazes de distinguir entre o que seja consumo, o que seja porte para consumo pessoal, que não gera pena de prisão, e o que seja tráfico que gera pena de prisão”, disse Barroso, completando:
“Portanto, quando chega uma ação no Supremo, ele tem o dever de julgar. Portanto, não há como dizer que essa não é uma matéria para o Legislativo. Quem prende ou não prende alguém é o Judiciário. Portanto, o Judiciário tem que saber qual é o critério que vai utilizar para saber se prende ou se não prende.”
Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.




