De fora da CPMI de 8 de janeiro, André Janones critica esquerda: 'elitismo e preconceito'
Deputado mineiro afirmou que esquerda comete erros ao não buscar maior protagonismo nas redes sociais

O deputado federal André Janones (Avante) disparou contra os partidos de seu bloco na Câmara dos Deputados por não ter sido indicado para participar da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) de 8 de janeiro, que vai investigar os atos antidemocráticos.
Janones afirmou que ao não buscar assumir narrativas nas redes, os partidos de esquerda perdem espaço para as siglas de direita e citou os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O movimento para me deixar fora da CPMI repete o mesmo erro que levou Bolsonaro ao poder: o elitismo e preconceito que faz com que a esquerda, corriqueiramente, ignore a voz que vem das redes. Infelizmente, parece que alguns ainda não entenderam que a ‘voz das redes’ de hoje em dia, é o que chamamos de ‘voz das ruas’ nos anos 90, ou seja: o povo”, escreveu Janones em suas redes sociais.
“A sensação de pertencimento que o bolsonarismo deu a essa pessoas gerou um efeito comparável ao que o bolsa família também proporcionou: a sensação de não serem mais invisíveis”, continuou o deputado.
Instalação
A (CPMI) criada para investigar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro — quando foram invadidos e depredados os edifícios sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal — deve ser instalada na quinta-feira (25), às 9h.
Na ocasião, será eleito o presidente do colegiado, que reunirá 32 parlamentares titulares, sendo 16 senadores e 16 deputados, com igual número de suplentes. O nome mais cotado para presidir a comissão é o do deputado Arthur Maia (União Brasil-BA), aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e com posicionamento crítico em relação ao governo Lula.
A reunião de instalação deve ser presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), parlamentar de maior idade entre os integrantes.
A comissão terá 180 dias para investigar os atos de ação e omissão ocorridos nas sedes dos três Poderes e que culminaram na prisão de mais de 300 pessoas, entre eles o ex-secretário de segurança pública do Distrito Federal, Anderson Torres.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
