‘Dark Horse’: plano enviado a Vorcaro previa bilheteria três vezes maior que recorde nacional
Documento está em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o caso do Banco Master, tornado público nessa sexta-feira (11)

O plano de negócios do filme ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), previa uma arrecadação de bilheteria três vezes maior do que o filme “Minha Mãe é uma Peça 3”, lançado em 2019 e que detém o recorde nacional. O documento está em um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o caso do Banco Master, tornado público nessa sexta-feira (11), e foi encontrado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
As projeções continham três cenários de desempenho: o mais pessimista previa US$ 45 milhões, enquanto US$ 70 milhões era apontado como conservador, e US$ 100 milhões no cenário mais otimista. Na cotação atual, essa última projeção equivale a R$ 509 milhões.
“O maior resultado de bilheteria da história do cinema nacional foi obtido por 'Minha Mãe é uma Peça 3' (2019), com aproximadamente R$ 120 milhões, equivalente, à época, a cerca de US$ 30 milhões. O cenário otimista projetado para Dark Horse superaria esse recorde histórico nacional em mais de três vezes, situando-se na faixa de desempenho de grandes produções hollywoodianas”, disse a PF.
O relatório afirma que há um “aparente descompasso” entre o valor previsto para o filme e os parâmetros do mercado audiovisual brasileiro, mas ressalta que não caracteriza um crime, apenas reforça a “necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada”, afirma.
Documentos do caso, tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pelo financiamento do filme. Em julho, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para incluir o parlamentar no inquérito.
Segundo o portal Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro um patrocínio de US$ 24 milhões para a produção do filme. Pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos. A suspeita é de que parte do dinheiro teria sido usado para bancar as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



