Candidaturas indígenas são recorde nas eleições de 2026; entenda
De acordo com levantamento da Apib, 191 pessoas se declararem indígenas no TSE; foram 56 registros eleitorais de 39 povos indígenas. Entre eles, 27 são mulheres

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) apresentou um levantamento que mostra um recorde de candidaturas indígenas nas eleições deste ano. De acordo com a instituição, o grupo é formado por 56 registros eleitorais de 39 povos indígenas. Entre elas, 27 são mulheres.
A chamada Bancada Indígena 2026 reúne nomes de 19 estados. A lista tem 33 candidatos a deputado estadual, 19 a deputado federal, dois ao Senado e um à segunda suplência da Casa Alta e um ao governo estadual.
O aumento desse perfil de candidatura ocorreu por uma campanha, coordenada pela APIB, que estimulou os povos indígenas a “ocuparem” a política institucional.
A bancada foi organizada a partir das indicações de organizações regionais de base, que atuam na proteção dos povos indígenas dentro dos territórios. A seleção teve como critérios o compromisso das candidaturas com os direitos dos povos indígenas, os direitos humanos e as lutas sociais.
De acordo com os dados da da Campanha Indígena, houve um crescimento da participação por 191 pessoas se declararem indígenas ao registraram a candidatura nas eleições. Esse é o maior número desde 2014 quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a solicitar informações de cor e raça dos candidatos.
Naquele ano, foram registradas 85 candidaturas indígenas. O número subiu para 133 em 2018 e chegou a 186 em 2022. Portanto, o número de candidaturas indígenas aumentou 2,7% de 2022 para 2026.
Principais pautas defendidas
A Bancada Indígena possui uma unidade na defesa de bandeiras. Elas são orientadas pela proposta “Nosso Território, Nossa Vida”, que coloca a proteção dos territórios indígenas no centro das discussões sobre o futuro do país.
Isso significa que entre as principais pautas estão:
- Demarcação e proteção das Terras Indígenas (TI);
- Participação dos povos indígenas nas decisões públicas;
- Fortalecer o cumprimento do artigo 6º da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que diz que os povos indígenas devem ser consultados antes de qualquer intervenção nos territórios;
- Defender a defesa das TIs como parte das estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas.
“A Bancada marca um novo momento da caminhada para aldear a política, fortalecendo candidaturas construídas a partir dos territórios e colocando as propostas do movimento indígena no debate sobre o futuro do Brasil”, afirmou Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



