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Aumento de salário e isenções fiscais: veja promessas que Zema descumpriu

Governador determinou aumento de 300% em seu próprio salário e negou fim do sigilo a benefícios fiscais concedidos no estado

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Governador Romeu Zema deixa a chefia do Executivo no próximo final de semana • GIL LEONARDI/Governo de Minas

Prestes a deixar o governo de Minas, Romeu Zema (Novo) não seguiu duas de suas principais promessas de campanha (feitas ao eleitor mineiro ainda na campanha de 2018): não aumentar o próprio salário e acabar com o sigilo das isenções fiscais.

No plano de governo apresentado em 2018, Zema defendeu a redução do salário do governador. A medida seria parte de uma “mudança cultural” no estado, com objetivo de reduzir os gastos públicos.

“Mudança cultural: Algumas medidas podem não significar grandes reduções no gasto público, mas são essenciais para extinguir o paradigma de privilégios. Assim, haverá o retorno da sede do governo para a Cidade Administrativa, destinando o uso Palácio Liberdade para um museu de regalias; o salário do governador será reduzido; helicópteros oficiais não serão utilizados para fins privados; o Palácio das Mangabeiras não será utilizado como moradia, entre outros”, diz o trecho do plano.

Em 2024, já no segundo mandato, Zema aumentou o próprio salário e o de seus secretários em quase 300%. O uso de aeronaves oficiais, outro ponto muito criticado pelo governador em campanha, não reduziu em seu mandato e incluiu sua cidade natal, Araxá, na rota, como mostrou a Itatiaia.

Isenções fiscais sob sigilo

No plano de governo da campanha de 2018, Zema prometeu atacar os sigilos conferidos a benefícios concedidos a empresas. O documento tem uma seção chamada “Abertura da caixa preta” em que são elencadas as seguintes propostas:

“Na atual cultura governamental algumas empresas e setores recebem mais subsídios que outras,sem transparência e comprovação dos seus benefícios para sociedade.Esta é uma velha prática que mantém privilégios Se cria barreiras para o mercado. É necessário acabar e dar transparência a este sistema para dar lugar à livre concorrência e garantir a igualdade de oportunidades”.

Na prática, Zema não apenas não revelou os regimes especiais de tributação como desautorizou Simões a fazê-lo. Em declaração feita na última segunda-feira (9) durante o lançamento do novo Portal da Transparência, o governador reiterou sua ideia de que tais informações exigem sigilo.

“Essa questão é como se fosse um segredo industrial. Nós não vamos dar publicidade a isso porque seria extremamente pernicioso para o Estado de Minas. Mas eu posso assegurar que na minha gestão nós não criamos nenhum tipo de incentivo fiscal. O que nós fizemos foi dar continuidade ao que já existia anteriormente. Então é como se você desse para os concorrentes a fórmula do seu produto e nós não daremos”, declarou.

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A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.