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Atingidos por rompimento de barragem protestam em frente à sede do governo inglês

Atingidos acompanham audiência, na Inglaterra, que pode incluir a Vale como ré em processo na Justiça britânica

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Movimentos protestam contra impunidade da BHP Billiton, controladora da Samarco
Movimentos protestam contra impunidade da BHP Billiton, controladora da Samarco • Lucas Ragazzi / Itatiaia

Em meio à audiência judicial entre as mineradoras BHP Billiton e Vale na Justiça inglesa, atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana protestaram, na manhã desta quinta-feira (13), em Londres, pedindo celeridade no processo de indenização em frente à sede da BHP Billiton. Cerca de 15 pessoas, entre lideranças indígenas, quilombolas e representantes dos atingidos, gritaram palavras de ordem no local. A reportagem da Itatiaia acompanhou o processo.

Em seguida, eles foram até Downing Steet, sede do governo britânico, para entregar uma carta de protesto ao gabinete do primeiro-ministro Rishi Sunak.

Desde quarta (12), a Justiça inglesa análise um recurso da BHP para incluir a Vale como ré no processo de indenização que corre na Corte de Londres. Ao todo, o pedido supera R$ 230 bilhões em indenização a mais de 700 mil pessoas, prefeituras, empresas e entidades.

A audiência entre BHP e Vale está marcada para ser encerrada nesta quinta. O resultado, no entanto, ainda deve levar semanas para ser elaborado pelos juízes ingleses.

O processo

O processo é movido na Justiça inglesa sob o argumento de que a Justiça brasileira não deu celeridade nem promoveu julgamentos justos aos atingidos. Como a sede da BHP Billiton está localizada em Londres, a ação foi movida na Corte londrina.

A barragem de Fundão se liquefez em 5 de novembro de 2015, matando 19 pessoas e causando dano ambiental ainda incalculável.

Além das audiências sobre a responsabilidade da Vale, estão previstos novos julgamentos do caso para outubro de 2024. Em nota, a BHP pontuou que o caso “está em seus estágios iniciais, com muitos anos pela frente antes que qualquer decisão sobre indenização e pagamento seja tomada”.

Também em nota, a Vale pontuou que "se trata de questão discutida judicialmente e todos os esclarecimentos vêm sendo oportunamente apresentados no processo".

Em 2022, a Corte londrina aceitou um recurso dos atingidos e autorizou que o processo fosse julgado na Inglaterra.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.