Atingidos de Mariana comemoram decisão da União de rejeitar acordo, diz advogado
O escritório Pogust Goodhead, que move ação contra a Vale e a BHP na Inglaterra, divulgou nota informando que os atingidos que são parte do processo parabenizam o governo federal por rejeitar a proposta da Vale

O CEO do escritório Pogust Goodhead, que representa 700 mil atingidos em uma ação contra a Vale e a BPH na Inglaterra, divulgou nota informando que as vítimas comemoram e parabenizam o governo federal por ter rejeitado a proposta das mineradoras para o acordo pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana.
Nesta sexta-feira (3), a Advocacia Geral da União (AGU) e o Estado do Espírito Santo comunicaram à Justiça Federal hoje que rejeitaram a proposta das mineradoras Vale e BHP, sócias da Samarco, pelo rompimento da barragem de Mariana. A oferta apresentada incluía R$ 37 bilhões em valores já pagos em remediação, 18 bilhões em “obrigações a fazer” e R$ 72 bilhões de dinheiro novo.
Jogo de planilhas
O advogado que representa mais de 700 mil vítimas na Inglaterra se manifestou sobre a decisão. “Meus clientes comemoram e parabenizam o governo federal e o estado do Espírito Santo por terem recusado a oferta das mineradoras, que era enganosa e visava apenas iludir a opinião pública com números inflados, no que foi considerado um ‘jogo de planilhas’. O aumento do valor em relação à oferta anterior só foi possível porque as empresas fizeram uma drástica redução em suas obrigações nas medidas de reparação desse crime, que está prestes a completar nove anos", afirmou Tom Goodhead, CEO do escritório Pogust Goodhead.
Termos inaceitáveis
Segundo o advogado, os termos colocados pelas mineradoras eram inaceitáveis. "Concordamos com os entes públicos que a proposta contém condições inaceitáveis, como a redução da área considerada afetada, a recusa em retirar os rejeitos tóxicos do Rio Doce, a transferência de obrigações para o poder público e a ampliação da quitação para danos futuros ou ainda desconhecidos, inclusive à saúde humana. Como se não bastasse, as empresas ainda incluíram a exigência de que municípios que optem pela repactuação desistam de eventuais ações judiciais, como o processo que movemos contra as mineradoras na Justiça da Inglaterra", argumenta.
Para Goodhead, o acordo que vinha sendo negociado no Brasil excluía da mesa as prefeituras e as próprias pessoas físicas atingidas. "A postura das mineradoras só reforça o descaso com que vêm tratando os afetados. Eles foram totalmente excluídos das negociações no Brasil desde o início. Em vez de oferecer acordos que beneficiem apenas a si mesmas, as mineradoras deveriam ajudar as vítimas cujas vidas elas devastaram", explicou.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



