ALMG: vizinhos do Rio Doce denunciam água suja após rompimento de barragem em Mariana
Moradores de cidades vizinhas ao rio reclamam da qualidade da água em comunidades após rompimento de barragem da Samarco

Moradores de 16 cidades vizinhas ao Rio Doce reclamam da péssima qualidade da água do rio nas áreas que foram atingidas pelos rejeitos de minério que vazaram da barragem da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (17) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os atingidos apontaram diversos problemas, como água barrenta, mal cheiro e excesso de cloro na água que é disponibilizada para consumo das comunidades do Rio Doce.
Por causa da ingestão da água, os moradores contaram à Itatiaia que passaram a enfrentar dores de estômago, doenças de pele, problemas respiratórios, além de doenças mais graves.
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Os relatos de problemas já começam nas cidades que ficam nas proximidades de onde ficava a barragem. A professora Simone Silva é moradora de Gesteira, que pertence à cidade de Barra Longa, na Região Central do Estado, uma das primeiras atingidas pela lama.
“A comunidade de Gesteira tinha um poço às margens do rio. Com o rompimento da barragem, o rio passou mais de 12 metros de altura por esse poço, a Fundação Renova limpou, passou uma pintura, mas continuou ofertando essa água contaminada para a comunidade”, conta Simone.
Fim dos peixes
Aparecida Oliveira da Silva Reis ganhava a vida pescando na Bacia do Rio Doce na comunidade de Revés do Galho, em Bom Jesus do Galho. Ela conta que teve que abandonar a profissão porque ninguém mais quer comprar os peixes da região do Vale do Rio Doce e relata que o filho desenvolveu uma doença de pele.
“Ultimamente estou sendo cuidadora de idosos, mas antes eu era pescadora. Desde a tragédia a água tem um mau cheiro, não vale mais a pena (pescar). Não tem mais como sobreviver. É muito mau cheiro, meu filho teve micose, uma sujeira na pele que deixou manchas grossas. O médico disse que não tem o que fazer”, afirma. Aparecida.
A gari Maria Aparecida de Souza, mora em Quatituba, distrito de Itueta, também às margens do Rio Doce. Ela reclama de coceiras na pele e do mal cheiro da água.
“Desde o rompimento não sabemos o que é uma água potável. Não tenho filtro. A água que pego da torneira está suja, podre e amarela. É a água que eu uso para lavar as roupas, para cozinhar”, reclama.
Integrante da coordenação nacional do MAB, Thiago Alves, conta que os relatos de doenças e reclamações são frequentes ao longo da bacia do Rio Doce.
“Diariamente nós temos relatos, desde doenças graves, que não têm tratamento fácil no SUS, até coceiras, queda de cabela, problemas intestinais. Todos os dias temos problemas nas comunidades sobre isso. Eles olham para o tipo de água que chega na casa deles e sabem que o problema vem dali”, diz Thiago.
Explicações
A Copasa participou da audiência pública e disse que faz análises da qualidade da água a cada duas horas em captações superficiais como no Rio Doce e ao menos uma vez por dia em poços subterrâneos. A Copasa ressaltou que os atingidos podem ter confiança na empresa e garantiu que a água fornecida aos clientes respeita os padrões internacionais de qualidade.
A Vale não quis comentar as reclamações dos moradores. Procurada pela Itatiaia, a mineradora pediu que a nossa reportagem procurasse a Fundação Renova, criada pela própria mineradora em parceria com a BHP Billiton para reparar os estragos causados pela Samarco, que pertence a duas empresas.
Em nota, a Fundação Renova disse monitorar a qualidade da água da bacia do Rio Doce desde 2017,
"A bacia do rio Doce tem pontos de monitoramento e estações automáticas que permitem acompanhar, desde 2017, sua recuperação e gerar subsídios para as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Os dados do monitoramento hídrico da bacia do rio Doce podem ser acessados no Portal Monitoramento Rio Doce, construído em parceria com seis órgãos ambientais e agências de gestão de recursos hídricos, que formam um grupo técnico ligado ao Comitê Interfederativo (CIF). Ações integradas de restauração florestal, recuperação de nascentes e saneamento estão acontecendo ao longo da bacia e visam à melhoria da qualidade da água. Até abril de 2024 foram destinados R$ 36,17 bilhões às ações de reparação e compensação. Desse valor, R$ 14,29 bilhões foram para o pagamento de indenizações e R$ 2,82 bilhões em Auxílios Financeiros Emergenciais, totalizando R$ 17,11 bilhões em 443,5 mil acordos", diz a Fundação.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



